Evo Morales nomeia 1º Governo paritário na história da Bolívia

Soledad Álvarez. La Paz, 23 jan (EFE).- Um dia após sua posse para o segundo mandato o presidente Evo Morales formou um renovado Governo que, pela primeira vez na história da Bolívia, terá equidade de gênero, ao ser formado por dez mulheres e dez homens.

EFE |

Morales cumpre assim seu "grande sonho" de incorporar às mulheres "não só à luta social, mas ao embate político e de gestão", em um gesto em homenagem à sua mãe, sua irmã e sua filha, como disse no Palácio Queimado de La Paz após a cerimônia.

Advogadas, operárias, dirigentes sindicais, indígenas, uma médica e inclusive uma cantora integram a cota feminina do Governo da Bolívia, marcado também por uma ampla renovação já que Morales substituiu 13 de seus 20 ministros.

Segundo o presidente, seu gabinete combina "capacidade intelectual e profissional" com a "consciência social" e com o qual inaugura o Estado Plurinacional da Bolívia, que é o novo nome oficial deste país.

Para esta etapa que inicia, Morales prescindiu de alguns dos "homens fortes" de seu mandato anterior como os ex-ministros de Presidência, Juan Ramón Quintana; de Governo (Interior), Alfredo Rada, e de Defesa, Walker San Miguel.

Entre os ministros mantidos figuram o chanceler David Choquehuanca, de etnia aimara como Morales; o responsável de Economia e Finanças, Luis Arce, e o titular de Autonomias, Carlos Romero, que enfrenta o desafio de tornar realidade o novo estado descentralizado estabelecido pela atual Constituição.

Dentre as incorporações destaque para o novo ministro de Governo (Interior), Sacha Llorenti, que foi presidente da Assembleia Boliviana de Direitos Humanos no início da década, época na qual se transformou em "chicote" dos titulares da pasta que agora ocupa.

No primeiro mandato de Morales, Llorenti foi vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais.

Uma das surpresas foi à designação da cantora Yulma Zugar para o Ministério de Cultura. "A revolução também ocorre cantando", brincou Morales.

Yugar disse que assume o cargo como uma homenagem à artista argentina Mercedes Sosa, morta no início de outubro de 2009.

Para a pasta de Hidrocarbonetos, um setor estratégico na economia boliviana, Morales optou por Fernando Vicenti, natural de Santa Cruz de la Sierra e que foi membro do conselho da direção das Jazidas Petrolíferas Fiscais Bolivianas (YPFB).

Conforme explicou aos jornalistas, entre os desafios de Vicenti está acabar com o déficit de fornecimento de gás ao mercado interno e avançar na prospecção e desenvolvimento de campos petrolíferos para cumprir os compromissos internacionais contraídos pelo país.

No ato realizado no Palácio de Governo e em nome do novo Executivo, falou o chanceler Choquehuanca, que destacou "a consciência do povo" em continuar no processo de transformação do país em direção a um Estado "mais inclusivo, mais participativo e com identidade própria".

Disse que os primeiros anos do Governo Morales foram "de momentos tensos e de grandes dificuldades", mas ao mesmo tempo "um período heroico, cheio de esperanças e profundas alegrias e satisfações".

"Nada do que foi conquistado teria sido possível sem luta de todos os bolivianos. Mostramos o tempo todo nosso compromisso de mudança", sustentou o chanceler.

Em nome dos ministros que estão deixando o Governo, o ex-ministro de Presidência, Juan Ramón Quintana, ressaltou que fica a marca de uma gestão "transparente e honesta".

O esquerdista e indigenista Evo Morales começou ontem seu segundo mandato consecutivo ao ser empossado na Assembleia Legislativa da Bolívia, após uma arrasadora vitória em 6 de dezembro ao conquistar 64,2% dos votos. EFE sam/dm

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