Evo Morales lidera protesto que ameaça fechar Congresso boliviano

Uma grande passeata, liderada pelo presidente Evo Morales, chegou à Praça das Armas nesta segunda-feira, no centro de La Paz, ameaçando fechar o Congresso caso este não aprove o referendo sobre a nova Constituição.

AFP |

Pelo menos 50 mil pessoas, principalmente operários, camponeses e indígenas, chegaram ao centro de La Paz convergindo de vários pontos, e Morales caminhou o trecho final - cerca de 12 quilômetros - a partir da vizinha cidade de El Alto.

O pedido do referendo para aprovar a nova Constituição, que deve ser votado no Congresso bicameral, continua sendo negociado nesta segunda-feira. Porta-vozes do governo e da oposição afirmam que um acordo deve ser alcançado em breve.

A tensão parecia diminuir na final do dia, diante da perspectiva de um acordo entre parlamentares governistas e de oposição, graças ao compromisso de Morales de concorrer a apenas uma reeleição, até 2014.

A decisão do presidente foi comunicada hoje pelo ministro da Agricultura, Carlos Romero, antes do anúncio dos legisladores de que um acordo estava muito próximo.

Segundo o senador governista Félix Rojas, o referendo sobre a nova Constituição será realizado no dia 25 de janeiro de 2009 e após a aprovação da Carta, ocorrerão eleições gerais em dezembro do mesmo ano, antecipando em 12 meses a substituição das autoridades.

O senador Luis Vásquez, do opositor partido Podemos - segunda força política do Congresso boliviano - disse que "praticamente estão resolvidas as contradições que impediam um acordo de reconciliação nacional".

A tensão havia crescido na manhã de hoje, quando Fidel Surco, líder da marcha para pressionar o Congresso, deu prazo até o meio-dia para que os parlamentares aprovassem o referendo constitucional: "têm que votar até o meio-dia, têm que aprovar a lei, do contrário, vamos fechar o Congresso".

A nova Constituição é vital para Morales consolidar sua visão estatizante e indigenista, além de permitir a reeleição presidencial, algo que a Carta Magna atual proíbe.

Para aprovar o referendo constitucional, o governo precisa de dois terços dos votos do Parlamento (105 de 157 cadeiras), mas tem apenas 84 votos, contra 73 dos partidos de oposição.

jac/LR

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