Evo Morales insiste em pedido de negociação com a oposição

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, frisou hoje que a Igreja Católica deve estabelecer um diálogo com a oposição para resolver a crise do país, embora os bispos, em duas semanas, não tenham conseguido avanços para iniciar uma negociação.

Redação com agências internacionais |

O pedido foi feito por Morales na cidade de Potosí, após a reunião com o enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler argentino Dante Caputo, que também avalia a possibilidade de mediar o conflito.

Evo Morales está preocupado com o avanço da organização do referendo sobre a autonomia de algumas regiões, apesar de o Congresso Nacional e a Corte Nacional Eleitoral (CNE) considerarem a consulta ilegal.

O presidente destacou que não teme a mediação da Igreja ou da comunidade internacional e acrescentou que, se não houver consenso, "o povo" é quem deverá decidir, com seu voto, as "transformações profundas" do país.

O referendo sobre a autonomia de Santa Cruz será realizado no dia 4 de maio. Beni e Pando programaram os seus para 1º de junho, enquanto Tarija vota no dia 22 do mesmo mês.

Contribuição da OEA

Uma missão política da OEA entrou em contato na terça-feira com o governo de Evo Morales e a oposição conservadora da Bolívia, buscando contribuir para um acordo que evite uma explosão de violência no país.

Composta há dois dias, a gestão foi montada enquanto parece aumentar a tensão devido ao projeto de uma nova Constituição 'plurinacional', um dos pilares da 'revolução democrática e cultural' de Morales, e as demandas por autonomia em quatro Estados, que empunham a bandeira da oposição.

'Estamos conversando com os diversos atores da vida política boliviana. Há desacordos e tensões e é importante que isso seja resolvido da melhor maneira possível', disse o chefe da missão especial da OEA e ex-chanceler argentino Dante Caputo, depois de uma reunião de mais de duas horas com Morales.

'Mas não estamos, neste momento, formando nenhuma gestão mediadora', avisou o enviado, que também tem encontros agendados com o presidente do Senado, Oscar Ortiz; o prefeito do distrito de Santa Cruz, Rubén Costas; e dirigentes de organizações sociais.

No mês passado, Costas e Ortiz criticaram duramente o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por ter declarado que o projeto de uma nova constituição para a Bolívia está enquadrado pelas leis nacionais e internacionais.

A visita da missão da OEA a Santa Cruz está agendada para a quarta-feira, coincidindo com uma marcha convocada por autoridades e dirigentes cívicos, contra o decreto que proibiu temporariamente as exportações de azeite comestível, a fim de garantir o abastecimento interno.

Costas lidera o movimento pela autonomia e desafiou o governo, o Congresso e a Corte Nacional Eleitoral, agendando para 4 de maio um referendo sobre o estatuto de autonomia de Santa Cruz. Outros três distritos pretendem fazer referendos semelhantes nos meses seguintes.

(*Com informações das agências EFE e Reuters)

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