Evo Morales em greve de fome para apressar aprovação de lei eleitoral

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se declarou nesta quinta-feira em greve de fome para pressionar a oposição, no Congresso bicameral boliviano, a aprovar uma nova lei sobre as eleições de dezembro próximo que permitiriam a ele apresentar-se a um novo mandato, ficando no poder até 2015.

AFP |

"Diante da negligência de um grupo de parlamentares, fomos obrigados a adotar esta medida de jejum voluntário", disse Morales, em discurso pronunciado no palácio de Governo de La Paz.

Logo em seguida, um documento da coalizão governista Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam) alertou: "estaremos em greve de fome junto com Morales e outros líderes sindicais da Central Operária Boliviana (COB).

O porta-voz presidencial, Iván Canelas, não descartou a possibilidade de "algum ministro" participar da greve, mas descartou a participação de todo o gabinete ministerial.

Na região central de Cochabamba, o prefeito (governador) oficialista, Jorge Ledezma, anunciou sua adesão à greve de fome "para que o Parlamento reflita e aprove a lei" eleitoral. Junto dele estavam funcionários e camponeses leais ao Governo.

A oposição questionou tal situação: "É uma greve ridícula, querem garantir de maneira desesperada a reeleição porque estão viciados, dependentes do poder, querem ficar muitos anos mais para tentar ocultar a megacorrupção", afirmou o deputado do partido opositor Podemos, Fernando Mesmer.

Enquanto a greve crescia, o Congresso bicameral debatia de forma ininterrupta, desde quarta-feira, a nova Lei Eleitoral que guiará os próximos pleitos.

Paralelamente, uma comissão multipartidária integrada pelo vice-presidente do país, Alvaro García (que também é presidente do Congresso), os presidentes do Senado e da Câmara de Deputados buscavam fórmulas para aplainar as divergências surgidas.

Essas diferenças são relacionadas a um novo recenseamento de mais de 4 milhões de eleitores -como pede a oposição e o governismo rejeita-, além de limitações à votação de bolivianos residentes no exterior e a redução para menos de 14 o número de cadeias para representantes dos povos indígenas.

Evo Morales, primeiro presidente boliviano de origem indígena, quer um segundo mandato de cinco anos e sai como favorito, no rastro do referendo de janeiro que viu seu projeto de nova Constituição ser aprovado por 61% dos votos.

A ação espetacular do presidente ilustra a queda de braço constante no centro da política boliviana, entre o Movimento para o Socialismo (MAS) de Evo Morales dominando a Câmara dos Deputados e a oposição de direita que controla o Senado.

A disputa entre o MAS e a oposição paralisa vários setores da vida política e judiciária na Bolívia, principalmente a Corte Constitucional e o Conselho de Magistratura.

rb/lm/sd

    Leia tudo sobre: evo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG