Evo Morales elogia desculpas de Alan García após conflito

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que seu colega peruano, Alan García, fez bem em reconhecer os erros na condução do conflito gerado por protestos de índios da Amazônia contra leis que atraíam investidores para a exploração de recursos naturais.

Reuters |

O mandatário indígena, que foi qualificado por Lima como um "inimigo" do Peru por supostamente apoiar as manifestações amazônicas, considerou que o verdadeiro inimigo é a política neoliberal, que coloca em risco a existência da humanidade e do planeta.

"Saúdo (que) desde ontem, anteontem, alguns presidentes já tenham começado a reconhecer alguns erros. Como presidente, quantos erros cometi!," disse o esquerdista Morales em um tom conciliador, longe da agressividade habitual de seus discursos, durante um ato militar na cidade de Santa Cruz.

O governante se referia ao mea culpa oferecido por García na quarta-feira para revogar as leis que convulsionaram o Peru, em um conflito que arranhou as relações entre os dois países da Comunidade Andina --da qual também fazem parte Colômbia e Equador.

"Quem não erra? Todos erramos, escutei que alguns erros de alguns presidentes vizinhos como no Peru estão sendo corrigidos. Saudamos isso", acrescentou Morales, que antes classificou como um "genocídio" a morte de indígenas peruanos que há duas semanas protestavam contra as leis.

O governo peruano, que denunciou "interesses externos" por trás dos protestos indígenas, chamou seu embaixador em La Paz para consultas em protesto após o respaldo de Morales aos nativos amazônicos.

"INIMIGO DE NINGUÉM"

Morales disse que proclamou uma luta em defesa dos recursos naturais não por inimizade ao Peru, e sim por inimizade com as políticas globais que ameaçam o meio ambiente com problemas como o aquecimento global.

"Aqui não se trata de ser inimigo de ninguém; são as políticas econômicas que são inimigas da humanidade... e é preciso corrigir essas políticas", sustentou o líder, que se chocou com García em outros meses por conta de políticas comerciais e do asilo dado por Lima a três ex-ministros bolivianos.

Morales, um estreito aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez, acrescentou, "com as desculpas necessárias," que "Evo não é nenhum pesadelo para nenhum presidente de nenhum governo, seja na América Latina ou no mundo."

Mas o presidente, também líder dos produtores bolivianos de coca, afirmou que continuará em sua campanha ecológica e contra o neoliberalismo, mesmo com o risco de ser "condenado em nível internacional."

"Questionamos algumas políticas que destroem o meio-ambiente, o planeta Terra, e portanto a humanidade, e todos temos direito a dizer a verdade sobre esses problemas que vêm de políticas econômicas... temos a obrigação de criar certa consciência."

(Reportagem adicional de Mónica Vargas em Santiago)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG