Evo Morales diz querer boas relações com Obama

Por Patrick Worsnip NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse na segunda-feira que deseja ter melhores relações com o futuro governo norte-americano, mas descartou a volta dos agentes antidrogas dos EUA ao seu país.

Reuters |

"Meu interesse é em melhorar as relações com o novo presidente (dos EUA, Barack Obama)", disse Morales a jornalistas após discursar na Assembléia Geral da ONU. "Acho que poderíamos ter muitas coisas em comum."

"Se formos falar de mudança (principal tema eleitoral de Obama), já tenho alguma experiência. Acho que seria bom trocar experiências com o novo presidente-eleito", acrescentou Morales.

Primeiro indígena a ser eleito presidente da Bolívia, Morales se comparou a Obama, primeiro negro eleito presidente dos EUA. Afirmou que a melhoria das relações deve se basear "no respeito de um governo ao outro".

Morales descartou a revogação da medida de 1o de novembro que proíbe a atuação de agentes da DEA (órgão antidrogas dos EUA) em território boliviano, sob a acuação de que eles estariam conspirando com a oposição, algo que Washington nega.

"A DEA não vai voltar enquanto eu for presidente", disse Morales.

A Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de cocaína, enquanto os EUA são os maiores consumidores mundiais. As relações entre os dois países enfrentam um mau momento desde setembro, quando Morales expulsou o embaixador dos EUA em La Paz, também sob acusação de conspirar com a oposição.

O presidente disse que a Bolívia deseja colaborar com outros países no combate às drogas, e que sua prioridade é obter helicópteros para a tarefa.

"Discutimos questões com Brasil, Rússia e França, onde fabricam helicópteros", disse ele. "Queremos comprar alguns, talvez usando empréstimos de emergência. Há um interesse nos países sul-americanos e na Europa de nos unirmos para lutar contra um problema comum, que é o tráfico de drogas."

Ele criticou a reunião do G20, no fim de semana, por basear suas soluções contra a crise financeira no livre-comércio, que segundo ele não é uma forma de comércio justo.

"Para sair da crise temos de nos livrar do modelo neoliberal e do sistema capitalista", disse ele, defendendo mudanças não-especificadas nas regras da Organização Mundial do Comércio.

Ele afirmou também que a Bolívia está preparada para os efeitos da crise financeira, em parte por ter aumentado suas reservas estrangeiras.

Morales disse ter conversado nos últimos dias com o Banco Interamericano de Desenvolvimento para pedir créditos facilitados, "de modo que possamos investir 100 milhões ou 200 milhões de dólares em nosso setor produtivo", disse ele, sem entrar em detalhes nem mencionar a resposta do banco multilateral.

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