O presidente de Bolivia, Evo Morales, chorou no momento em que os alto-falantes da Praça de Armas, onde fazia vigília, ao lado de milhares de indígenas, anunciaram a aprovação do referendo por uma nova Carta Magna.

Morales que liderou, ao final, uma marcha em defesa da nova Constituição, ficou toda a noite do lado de fora do Congresso, rompendo depois em pranto junto a vários funcionários e líderes sindicais que entoavam o hino nacional, constatou um correspondente da AFP.

Morales caminhou o trecho final - cerca de 12 quilômetros - da marcha, que começou na segunda-feira da semana passada. Ele saiu da cidade de El Alto, vizinha a La Paz, enquanto os outros manifestantes percorreram aproximadamente 200 km.

Quase sem palavras, esteve no centro das felicitações, abraçando-se aos correligionários.

O Congresso da Bolívia aprovou nesta terça-feira a convocação de um referendo para validar a nova Constituição, no dia 25 de janeiro de 2008, pressionado por milhares de camponeses e mineiros que se aglomeraram na entrada da Casa, segundo imagens divulgadas por canais locais.

"Está aprovada a lei de convocação do referendo sobre a nova Constituição", disse o vice-presidente Alvaro García, depois da votação com as mãos levantadas, apoiada pela maioria dos parlamentares presentes.

O Congresso realizava uma sessão desde a noite de segunda-feira de forma ininterrupta, impacientando milhares de operários e camponeses que estavam do lado de fora da sede do poder Legislativo.

Os mineiros ameaçaram com dinamite nas mãos tomar o Congresso, se continuasse atrasando a aprovação do referendo constitucional. Os mineiros diziam-se cansados de esperar a decisão dos parlamentares de aprovar a lei convocatória de um referendo para a nova Constituição, obrigando o presidente Evo Morales a pedir calma.

Grupos de mineiros estatais e privados que estavam na Praça das Armas de La Paz, onde fica o Legislativo boliviano, chegara a detonar pequenas quantidades de dinamite, enquanto outros levantavam as mãos com cilindros de explosivo.

"Estamos cansados de esperar, estamos aqui desde ontem à noite, sem dormir, depois de ter caminhado por mais de uma semana. Esses parlamentares da oposição não podem demorar mais para aprovar a lei", disse um mineiro.

Um contingente policial chegou a proteger as entradas da sede do Legislativo.

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