Evo cede e rejeita que estrada atravesse reserva indígena

Presidente boliviano atendeu demanda de marcha indígena que chegou a La Paz nessa semana e disse que enviará medida ao Congresso

iG São Paulo |

O presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitou nesta sexta-feira que uma estrada financiada pelo Brasil não atravesse a reserva Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), cujos habitantes indígenas realizaram uma marcha por 65 dias desde a Amazônia boliviana até a capital , La Paz, para convencê-lo.

EFE
Um dos indígenas que acampam em frente à sede do Palácio Presidencial de La Paz é fotografado enquanto alimentava os pombos

De acordo com a BBC, ainda não ficou claro qual será a resposta dos manifestantes diante o anúncio do presidente boliviano. Morales disse que enviaria uma medida ao Congresso que agregaria as demandas do grupo indígena. "O problema está resolvido", garantiu o líder, primeiro indígena a governar o país.

Centenas de residentes aguardaram nas ruas de La Paz nessa semana pela chegada de cerca de mil indígenas que lutavam pelo fim efetivo da construção da rodovia, a cargo da empresa brasileira OAS.

O governo argumentou que a estrada era importante para o crescimento econômico e para a integração regional. Um empréstimo de US$ 332 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) previsto para ser feito à construção ainda não foi efetuado. De acordo com o BNDES, nenhum desembolso visando a financiar importações de equipamentos e serviços brasileiros foi realizado até o momento.

Os participantes da marcha defendem a reserva natural, de 1,2 milhão de hectares, porque acreditam que a construção da estrada Villa Tunari 2-San Ignacio de Moxos permitirá que suas terras sejam invadidas por madeireiros e produtores de coca.

A decisão do presidente acontece depois de ele ter sofrido no domingo a primeira derrota eleitoral desde 2005 , em eleições judiciais nos quais a oposição estimulou os votos nulos ou em branco, que superaram com 60% os sufrágios válidos, que não chegaram a 40%.

Há cerca de 20 dias, a interrupção da marcha por uma violenta intervenção policial condenada pela ONU, representou uma das maiores crises ao governo Morales, primeiro indígena a governar o país andino. Após a operação dos agentes da segurança, os então ministra da Defesa e ministro do Interior renunciaram em protesto e por suposto envolvimento na ação, respectivamente.

Diante desse cenário de crise, em setembro, Morales anunciou a suspensão temporária da obra rodoviária . Os nativos têm uma plataforma de 16 pontos, à qual adicionaram mais um relativo à investigação da repressão policial. Além do cancelamento do projeto rodoviário, os nativos amazônicos pedem, entre outros pontos, "a paralisação de todas as atividades hidrocarboníferas no Parque Aguaragüe" - que gera cerca de 80% da produção de gás natural - e que foi rejeitada de pronto por Morales.

Um líder indígena ouvido pela agência EFE, Rafael Quispe, disse que a proposta do presidente anunciada nesta sexta-feira era um "bom sinal", mas que as outras 15 propostas ainda necessitavam ser discutidas.

Com informações da EFE e BBC

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