Europol identifica mudanças no modo de operar da ETA

Bruxelas, 7 abr (EFE).- O grupo terrorista ETA pode estar modificando seus métodos de recrutamento, uso de explosivos e âmbito de atuação para se adaptar a algumas circunstâncias que dificultam suas fórmulas tradicionais, segundo observações feitas pela Europol (agência policial européia) em seu relatório anual sobre situação e tendências do terrorismo.

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No documento, baseado nas informações que a Espanha e o resto dos Estados-membros proporcionam à Europol, se faz referência às atividades da ETA em Portugal, o uso preferencial de explosivos caseiros ou a emissão de vídeos para chamar jovens ativistas.

Em entrevista coletiva, o diretor da Europol, Max-Peter Ratzel, advertiu que seria "perigoso" concluir que a ETA está em uma posição mais fraca.

"O que podemos ver são pequenas mudanças no modus operandi, um ligeiro deslocamento na área onde a ETA possui mais gente", disse Ratzel, para quem "isto é resultado de uma estreita e muito boa cooperação entre as autoridades da Espanha e da França, com o apoio da Europol".

Em sua opinião, "o que temos que fazer é incluir outros países como Portugal em nossa estreita cooperação".

O relatório assinala que, embora a ETA siga utilizando a França como "base logística", as autoridades portuguesas notaram um "aumento incomum" das atividades em seu território na segunda metade de 2007, embora as atividades mencionadas pareçam ter se limitado ao aluguel de veículos empregados em operações posteriores.

Em paralelo, o texto aponta que durante 2007 "as autoridades espanholas perceberam uma redução do uso de explosivos comerciais em atentados relacionados com a ETA".

A organização emprega, na maioria das vezes, uma mistura de explosivos comerciais e caseiros, mas em seus últimos atentados fez uso principalmente dos segundos.

"Esta mudança nas táticas pode ser resultado do aumento de medidas de segurança adotado pelas autoridades francesas para proteger as fábricas e armazéns de explosivos e o transporte de explosivos, o que impede a ETA de ter acesso a explosivos comerciais", observa a Europol.

A agência européia comentou também que a ETA divulgou no último verão (hemisfério norte), pouco depois de ter anunciado o fim do cessar-fogo, "várias versões de um vídeo de recrutamento no qual mostra algumas de suas atividades".

"O objetivo era provavelmente encorajar jovens a se juntar à ETA.

Esse método de recrutamento raramente foi visto no passado e pode indicar um novo modus operandi da ETA", assinala.

Europol constatou ainda que a extorsão continua sendo uma "importante fonte de renda para a organização terrorista" e lembra que, durante o ano passado, os meios de imprensa espanhóis informaram de várias campanhas para cobrar o chamado "imposto revolucionário" a empresários.

A agência européia atribui a ETA 264 dos 583 atentados terroristas perpetrados na União Européia durante 2007.

Os principais alvos da ETA foram "governamentais e empresariais", embora 12% do total de suas ações tenham afetado infra-estruturas estratégicas.

Segundo a Europol, os Estados-membros da UE detiveram 1.044 suspeitos de terrorismo durante 2007, dos quais 548 estavam vinculados a organizações separatistas, 201 eram islamitas, 48 de extrema esquerda e 44 de extrema direita.

Entre os separatistas, a maior parte foi detida na França (315) e Espanha (196).

A Europol chama a atenção sobre o fato de que 18% dos detidos relacionados com a ETA eram mulheres, uma porcentagem do sexo feminino que não existe em nenhuma outra organização terrorista na UE.

Alem disso, 55% dos detidos por ter relação com a ETA era menor de 30 anos. EFE adp/fb

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