Europeus conseguem falar com Farc sobre reféns, diz jornal

PARIS (Reuters) - Representantes da França e da Suíça conseguiram estabelecer contato com um comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a fim de conversar sobre a mais famosa dentre os vários reféns mantidos em poder dos rebeldes, afirmou na terça-feira à noite o jornal francês Le Figaro. O contato com Alfonso Cano, novo comandante das Farc, poderia ser um passo inicial rumo a negociações em um período no qual o mais antigo grupo guerrilheiro da América Latina enfrenta pressões crescentes na forma de ataques militares e de deserções.

Reuters |

Um membro do governo colombiano afirmou na segunda-feira que um negociador francês e um outro suíço haviam passado três dias em uma área onde estariam importantes comandantes das Farc como parte de um esforço para garantir a libertação de reféns, entre os quais a cidadã franco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos.

O Le Figaro disse, antecipando uma matéria a ser publicada na quarta-feira, que os dois negociadores haviam se reunido com uma pessoa próxima de Cano na região montanhosa do sul da Colômbia para discutir o destino de Betancourt. O jornal citou como fonte de sua informação 'autoridades colombianas'.

As Farc mantêm sob seu poder 40 reféns de peso político. O grupo deseja trocá-los por guerrilheiros atualmente presos na Colômbia.

No entanto, a fim de negociar uma eventual troca, a guerrilha exigiu do presidente Alvaro Uribe que desocupe militarmente uma área do tamanho da cidade de Nova York.

Uribe, cuja popularidade atual se alimenta também da postura rígida que adota frente aos rebeldes, nega-se a aceitar essa condição. Mas ofereceu a criação de um espaço de segurança menor e que seria vigiado por observadores estrangeiros.

As Farc, um grupo que já chegou a contar com 17 mil integrantes e foi capaz de atacar cidades e realizar sequestros quase à vontade, viram-se obrigadas a retroceder para regiões afastadas e contam hoje com 9.000 membros. E os guerrilheiros perderam três de seus comandantes neste ano.

Cano, um ex-ativista universitário, é considerado mais flexível do que o fundador do grupo, Manuel Marulanda, a respeito de manter negociações com o governo. Marulanda, principal comandante das Farc, morreu em março.

Especialistas dizem, porém, que faltaria a Cano autoridade suficiente para manter a guerrilha unida.

Uribe já disse que o governo foi contatado por um guerrilheiro que deseja render-se e entregar reféns, entre os quais Betancourt. Mas o presidente ofereceu poucos detalhes a esse respeito.

Betancourt, ex-candidata à Presidência colombiana, foi sequestrada pelas Farc em 2002. A última imagem dela apareceu em um vídeo gravado em seu cativeiro, um acampamento de uma área de mata. Na gravação, Betancourt aparecia bastante magra e abatida.

(Reportagem de Francois Murphy)

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