Europeus buscam unidade sobre o clima após firme mensagem frente a crise

Bruxelas, 16 out (EFE).- Os líderes europeus terminam hoje sua cúpula em Bruxelas unidos frente às turbulências financeiras, mas com divergências cada vez mais abertas em relação a seus ambiciosos planos de luta contra a mudança climática.

EFE |

A primeira jornada deste Conselho Europeu de outono foi encerrado ontem à noite com um acordo unânime dos 27 países na União Européia em torno das medidas para restabelecer o funcionamento dos mercados e à necessidade de uma reforma profunda do sistema financeiro mundial.

O presidente rotativo da UE, o francês Nicolas Sarkozy, anunciou o consenso de todos os europeus sobre a conveniência de "voltar a fundar" o sistema capitalista sobre bases mais sãs, para que não volte a se repetir um colapso como o que se viveu.

A partir deste sábado, em que Sarkozy e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, se reunirão com o presidente dos Estados Unidos para abordar o afundamento internacional do crédito, a Europa se empenhará na reforma das finanças globais.

Os 27 países concordam que é necessário realizar uma cúpula internacional, em novembro se for possível, da qual deveriam participar os líderes de todas as grandes economias do planeta, incluindo os países emergentes, para falar do assunto.

O presidente francês disse que "toda a Europa, sem exceção", apoiou as medidas definidas pelos países do euro na reunião do domingo em Paris, dirigidas a facilitar o funcionamento do mercado de crédito interbancário e a injetar capital nas entidades em apuros.

Tanto Sarkozy como o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, se felicitaram pelo papel de liderança assumido pela UE em resposta às turbulências financeiras e concordaram em que também devem ser os europeus que indiquem o caminho para reformar o modelo de funcionamento dos mercados.

Não basta com as medidas de emergência adotadas até o momento, destacaram ambos os líderes, que se mostraram partidários de "um novo Bretton Woods", ou seja, de revisar o projeto e responsabilidades das instituições financeiras internacionais criadas em 1944 nessa localidade americana - Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM).

A "refundação do capitalismo" que os 27 querem deve partir, segundo o presidente francês, da base que "nenhuma instituição financeira pode ficar isenta de regulação ou supervisão".

A proposta de Brown de iniciar "colégios de supervisores" para vigiar as entidades transnacionais levantou alguns receios de vários Estados-membros.

Os governantes europeus terão dificuldades de chegar a uma declaração comum que permita manter vivo o compromisso de fechar, antes que acabe o ano, um acordo para a aplicação dos compromissos de redução dos gases causadores do aquecimento do planeta.

Os planos da Presidência francesa enfrentam uma forte oposição da Itália e de oito países da Europa central e do Leste.

Esses nove países pediram ontem que a UE reduza esses compromissos perante a gravidade da situação econômica.

Mas Sarkozy insistiu em não jogar a toalha: "não podemos dar marcha à ré no objetivo 20-20-20", "a crise não pode frear nossa ambição".

Esse triplo algarismo significa reduzir as emissões de CO2 em 20%, que 20% da energia final consumida seja renovável e diminuir em 20% o consumo energético, tudo isso para o ano 2020.

Além disso, se quer que para esse ano os biocombustíveis representem 10% de todos os combustíveis usados no transporte.

A questão da mudança climática centrou o jantar de líderes, na qual oito países do Leste (Bulgária, Estônia, Eslováquia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia) pediram à UE que leve em conta o impacto econômico da crise financeira.

Em comunicado conjunto, os primeiros-ministros desses países assinalaram que "na época atual de incerteza econômica e financeira (...) a política climática e energética da UE deveria reconciliar os objetivos ambientais e a necessidade de um crescimento econômico sustentável".

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, ameaçou vetar o pacote de medidas contra a mudança climática que a UE negocia "como é apresentado hoje", por considerar que prejudicaria a economia de seu país, que gera eletricidade principalmente através do carvão.

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