Europeus buscam apoio na África para acabar com conflito na RDC

Kigali, 2 nov (EFE).- Os ministros de Assuntos Exteriores francês e britânico, Bernard Kouchner e David Miliband, prepararam hoje, junto ao chefe de Estado da Tanzânia e presidente da União Africana (UA), Jakaya Kikwete, uma cúpula para tentar solucionar o conflito que afeta o leste da República Democrática do Congo (RDC).

EFE |

Kouchner e Miliband viajaram de Kigali para Dar es Salam, após confirmar o compromisso do presidente de Ruanda, Paul Kagame, de ir à cúpula que acontecerá em breve em Nairóbi, na qual também estará o chefe do Estado congolês, Joseph Kabila, para buscar uma saída ao conflito do leste da RDC.

A reunião, cuja data ainda não foi precisada, reunirá Kabila e Kagame, que é acusado pelo Governo de Kinshasa de apoiar o líder tutsi do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), Laurent Nkunda, cujos guerrilheiros iniciaram na semana passada uma ofensiva no leste da RDC, cessada apenas na quarta-feira passada.

Antes de se reunir com os dois ministros europeus, Kagame também tinha recebido a visita da secretária de Estado adjunta para a África dos EUA, Jendayi Frazer, e do comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da União Européia, Louis Michel.

Kagame se mostrou partidário de reunir em Nairóbi todas as pessoas que estejam direta ou indiretamente envolvidas na crise da RDC e àquelas que possam contribuir de forma positiva na resolução do conflito, e assegurou que seu Governo não apóia os rebeldes tutsis.

Após a reunião com Kikwete em Dar es Salam, Kouchner e Miliband divulgaram um comunicado conjunto em que solicitam ajuda humanitária "urgente" para o leste da RDC, mas não reivindicando uma força européia para colaborar com a missão da ONU.

"As necessidades humanitárias imediatas são evidentes (...) as urgências em alimentação, água, habitação e cuidados médicos devem ser cobertas graças à mobilização internacional", assinala o texto dos dois chanceleres que representam a UE.

Kouchner e Miliband assinalaram que os acordos assinados em Nairóbi, em novembro de 2007, e em Goma, em janeiro passado, que contemplavam o desarmamento e a desmobilização das guerrilhas da RDC, constituem "uma boa base para recuperar o caminho da paz".

Os dois pediram ao Governo congolês que "recupere o controle de suas forças armadas para poder cumprir seus compromissos" e estabelecer vias de comunicação com todas as comunidades do país e seus vizinhos.

Também pediram a todos os estados da zona, especialmente a Ruanda, "medidas efetivas" para cumprir os acordos, "promover a paz, desenvolver ajuda humanitária e facilitar o processo político".

Os ministros francês e britânico respaldaram a decisão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de nomear um enviado especial à região e, ao mesmo tempo, pediram que a missão da ONU na RDC seja reforçada.

Os chanceleres, além disso, pediram garantias de segurança nas rotas para que a ajuda chegue aos campos de refugiados de Kivu Norte, a maioria de difícil acesso e onde as organizações humanitárias têm pouca mobilidade após os combates.

Os rebeldes declararam um cessar-fogo na quarta-feira passada e detiveram seu avanço a sete quilômetros de Goma, capital de Kivu Norte, cidade de onde boa parte da população fugiu e na qual o Governador, Julien Paluku, declarou hoje um toque de recolher noturno para reforçar a segurança e evitar saques.

A ofensiva dos rebeldes tutsis fez com que mais de 200 mil pessoas fugissem de suas casas em Kivu Norte e se unissem ao milhão de deslocados que já havia na província, onde as ajudas que recebem são poucas e as organizações internacionais temem que se produza um desastre humanitário.

Na interminável lista de ações violentas na RDC, organizações internacionais calculam que desde 1998 morreram quase cinco milhões e meio de pessoas, o que representa 45 mil mortes por mês. EFE jo/rr

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