Europa retoma voos aos poucos; cinzas ainda atrapalham

Por Greg Roumeliotis AMSTERDÃ (Reuters) - Os aeroportos europeus ensaiam nesta terça-feira uma retomada dos voos, após cinco dias de paralisações por causa de uma erupção vulcânica na Islândia, mas grande parte do espaço aéreo regional continua fechada, após relatos sobre a formação de uma nova nuvem.

Reuters |

Itália, Suíça e França reabriram seus aeroportos na manhã de terça-feira, mas muitos voos continuam cancelados, e na Itália poucos decolaram, em geral apenas para destinos domésticos. A Hungria reabriu completamente o seu espaço aéreo.

Já o espaço aéreo britânico, segundo as autoridades do setor, deve permanecer fechado pelo menos até as 19h (hora local; 16h em Brasília) para voos abaixo de 6.000 metros, depois que controladores de tráfego aéreo alertaram que uma nova nuvem de cinzas vinda da Islândia está sendo soprada na direção de importantes rotas aéreas.

A Polônia, que na segunda-feira reabrira quatro aeroportos, voltou a fechá-los na terça, além de interditar parte do seu espaço aéreo para voos em trânsito, devido às cinzas vulcânicas.

A Irlanda disse que o reinício da erupção no vulcão islandês, junto com as condições climáticas adversas, obriga a uma prorrogação das restrições no seu espaço aéreo.

"A densidade da cinza vulcânica sobre o espaço aéreo irlandês é tal que as restrições terão de continuar até as 13h (9h em Brasília) de hoje, pelo menos," disse nota da Autoridade Irlandesa de Aviação.

Na Grã-Bretanha, os maiores aeroportos continuaram fechados, ou na melhor das hipóteses operaram com limitações, como em Edimburgo e Glasgow, na Escócia.

"Realmente são só os voos domésticos escoceses, talvez um par de internacionais; há um indo para a Islândia - sim, irônico, não é?," comentou Steven Boyle, diretor de informações do aeroporto de Glasgow.

O comissário (ministro) de Transportes da União Europeia, Siim Kallas, disse na segunda-feira, após uma teleconferência entre ministros do bloco, que mais voos seriam retomados, para alívio de milhões de passageiros retidos e das companhias aéreas, que dizem amargar um prejuízo diário de 250 milhões de dólares.

De fato, alguns voos decolaram na noite de segunda-feira nos aeroportos de Amsterdã e Frankfurt. "Estou tão feliz," disse com lágrimas nos olhos um homem que corria para apanhar um dos três voos que decolaram da Holanda com destino a Nova York, Xangai e Dubai, com quase 800 passageiros a bordo em cada um.

Mas, depois do acordo da UE para retomar os voos, ainda não está claro como as autoridades vão retalhar o espaço aéreo do continente em áreas onde os aviões podem ou não voar, ou no caso de países que estejam adotando posturas mais cautelosas.

Em nota durante a noite de segunda-feira, o Serviço Nacional do Tráfego Aéreo britânico disse que "a erupção vulcânica na Islândia se fortaleceu, e uma nova nuvem de cinza está se espalhando para o sul e o leste, na direção do Reino Unido."

Segundo a nota, "isso demonstra a dinâmica e as condições de rápida mutação em que estamos trabalhando."

A Holanda, que prometera "assumir a liderança" no processo de reabertura dos aeroportos, disse que pode novamente fechar seu espaço aéreo caso o nível de cinzas aumente.

ABERTURA PARCIAL

Pelo acordo da UE, que Kallas disse que entraria em vigor às 3h de terça-feira (horário de Brasília), a área imediatamente em torno do vulcão, no sul da Islândia, continuará vedada aos aviões.

Mas os voos serão permitidos em uma zona mais ampla, onde há menos concentração de cinzas, conforme avaliação de autoridades locais e aconselhamento científico, de acordo com a Eurocontrol (agência europeia de controle do tráfego aéreo).

Empresas aéreas fizeram vários voos-teste nos últimos dias, na esperança de demonstrar que o problema foi superado. Mas especialistas discordam a respeito de como mensurar as cinzas e a quem cabe decidir se é seguro voar.

As cinzas vulcânicas têm propriedades abrasivas, semelhantes às de partículas de vidro, que podem afetar superfícies aerodinâmicas, motores, sistemas tecnológicos e outros componentes das aeronaves.

Em 1982, um jumbo da British Airways quase caiu depois de passar sobre uma nuvem de cinzas vulcânicas nos arredores da Indonésia.

Os transtornos na Europa se refletem no mundo todo. Na Coreia do Sul, o Aeroporto Internacional Incheon, que foi o quarto maior do mundo em movimento de cargas em 2008, deixou de embargar 3.216 toneladas de cargas para a Europa entre os dias 16 e 19, segundo a alfândega local.

A Japan Airlines disse ter cancelado 55 voos com destino à Europa, afetando 14.277 passageiros. A All Nippon Airways (ANA) cancelou 33 voos, prejudicando 8.500 passageiros.

Para quem ficou retido, o aeroporto de Narita, em Tóquio, oferece gratuitamente chuveiros, hambúrgueres, áreas de repouso e passeios de ônibus pela cidade. Cerca de 140 pessoas tiveram de passar a noite de segunda para terça-feira no aeroporto.

Em vários países, viajantes se viram retidos em aeroportos, perdendo dias de trabalho ou escola, ou foram forçados a pagar pequenas fortunas para tentar fazer seu percurso por estrada, ferrovia ou navio

Foi o caso do empresário britânico Chris Thomas, que estava em Los Angeles e desde quinta-feira tenta voltar ao seu país. Ele voou para a Cidade do México e em seguida pretendia embarcar para Madri, onde gastaria 2.000 dólares para alugar um carro e viajar 14 horas até Paris. De lá, ele tem reserva no trem Eurostar, até Londres, a partir de onde terá de dirigir mais quatro horas até o País de Gales, onde vive.

"É tudo um pouco louco, mas é melhor pecar por cautela," disse Thomas. "Ninguém deseja estar no primeiro avião a cair numa nuvem vulcânica."

Quem também enfrenta graves transtornos é o time do Barcelona, atual campeão europeu, que começou a encarar no domingo uma viagem rodoviária de dois dias e quase mil quilômetros para enfrentar, nesta terça-feira, a Inter de Milão pela semifinal da Liga dos Campeões.

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