Os líderes da União Europeia concordaram, nesta sexta-feira, em defender uma contribuição pública internacional de entre US$ 32 bilhões e US$ 75 bilhões anuais até 2020 para financiar o combate ao aquecimento global nos países em desenvolvimento. O bloco europeu estima que, nos próximos dez anos, os países em desenvolvimento precisarão de US$ 150 bilhões anuais para se adaptar às mudanças climáticas e conter suas emissões de gases causadores do efeito estufa.


AP

Premiê espanhol Jose Luis Rodriguez Zapatero, ao centro,
chega para encontro da UE em Bruxelas

Após dois dias de reuniões em Bruxelas, as autoridades europeias decidiram que o valor exato da contribuição do bloco será determinado durante as negociações da conferência sobre o clima em Copenhague, no mês de dezembro.

O objetivo do encontro é definir um acordo global de redução das emissões de gases poluentes para substituir o atual Protocolo de Kyoto.

A União Europeia também pedirá que entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões da ajuda internacional total sejam liberados em 2010 em caráter de urgência, a fim de que os países pobres possam tomar medidas contra os problemas já existentes em consequência do aquecimento global.

Apesar da falta de um acordo mais específico sobre a sua própria contribuição, os líderes europeus descreveram o resultado das reuniões em Bruxelas como "um êxito" e se comprometeram a contribuir com uma "parcela justa".

"Agora, a União Europeia tem uma posição negociadora muito forte para levar a Copenhague", disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, cujo país exerce a presidência rotativa do bloco.

Divisão Leste-Oeste

A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, esperava que os líderes aceitassem a proposta de se comprometer a contribuir com até US$ 22 bilhões para a ajuda internacional.

Para o presidente da comissão, José Manuel Durão Barroso, uma iniciativa nesse sentido ajudaria a pressionar os países emergentes.

No entanto, a proposta de Bruxelas esbarrou em uma forte oposição de nove países do Leste Europeu, que se recusam a financiar medidas em outros países que eles próprios ainda não têm condições de adotar.

"Em um país como a Polônia, temos uma margem muito limitada para reduzir as emissões até 2020. Não queremos nos converter em um museu do folclore do Leste Europeu. Queremos nos desenvolver rapidamente", defendeu o ministro polonês de Assuntos Europeus, Mikolaj Dowgielewicz.

Para tranquilizar o grupo, a União Europeia concordou que a contribuição inicial será voluntária. No longo prazo, a divisão dos valores que caberão a cada país será definida com base em sua "situação econômica e capacidade financeira".


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