Europa fica sem gás e Ucrânia exige retomada do fornecimento

O fornecimento de gás russo à Europa através da Ucrânia cessou totalmente nesta quarta-feira por causa de uma guerra comercial entre os dois países, aumentando o temor de que os consumidores sofram as consequências desta crise num momento de temperaturas muito baixas.

AFP |

A Ucrânia acusou a Rússia do corte das entregas, mas a gigante do gás russa Gazprom afirmou que o fim do fornecimento foi provocado pelas autoridades ucranianas, que teriam fechado o último gasoduto que estava aberto.

O presidente ucraniano Viktor Yushchenko pediu que a Rússia retome de imediato do envio de gás para a Europa por meio da Ucrânia, em uma carta enviada ao presidente russo Dmitri Medvedev e ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

A empresa ucraniana Naftogaz anunciou que a Rússia interrompeu o trânsito de gás à Europa pelo território do país nesta quarta-feira.

"Às 7H44 (3H44 de Brasília), a Rússia cessou todo o trânsito pela Ucrânia. A Rússia deixou a Europa sem gás", declarou o porta-voz da empresa, Valentin Zemlianski.

"Considero necessário retomar de imediato o trânsito diário de gás para os países europeus, com os volumes e os destinos de referência em 2008, até que um acordo permita solucionar a divergência comercial entre Rússia e Ucrânia", afirma o presidente Yushchenko em sua carta.

República Tcheca - país que preside a União Européia no semestre -, Áustria, Romênia e Eslováquia anuciaram que já deixaram de receber o gás russo.

Bósnia, Bulgária, Croácia, Grécia, Hungria e Macedônia já haviam anunciado na véspera que o abastecimento havia cessado. A Bulgária cortou a distribuição às indústrias e pediu à população que reduza o consumo em casa, apesar das temperaturas de até 16 graus negativos. A Eslováquia declarou uma emergência energética.

Além disso, um total de 17 países afirmaram que tiveram o fornecimento reduzido por causa do conflito entre Kiev e Moscou. Entre eles, França e Itália anunciaram quedas no fornecimento de 70% e 90% respectivamente.

Moscou cortou o fornecimento de gás ao mercado doméstico da Ucrânia em 1º de janeiro por uma polêmica sobre os preços do gás para 2009 e alegando atrasos nos pagamentos por parte de Kiev.

O governo russo acusa a Ucrânia de desviar ilegalmente o gás que transita por seu território com destino a outros países da Europa. A Ucrânia nega ter roubado gás da Rússia e acusa o Kremlin de criar uma crise, em pleno inverno europeu.

Quase 40% das importações de gás da UE procede da Rúsia, o que representa 25% do consumo total de gás do bloco. No total, 80% do gás russo destinado à UE transita pela Ucrânia.

A UE e a Comissão Européia afirmaram na terça-feira que consideram a situação "inaceitável".

Dirigentes russos e ucranianos asseguraram nas últimas semanas que a divergência não afetaria a entrega de gás à Europa e agora cada um se seforça para apontar a outra pate como o sócio energético pouco confiável para a UE.

A crise acontece no pior momento, já que coincide com uma onda de frio que arrasa a Europa central e oriental, regiões que dependem do gás para seus sistemas de calefação central.

Mas, segundo especialistas, o impacto imediato para os consumidores europeus será moderado porque a maioria dos países armazena importantes reservas de gás desde que um conflito russo-ucraniano já provocou cortes em 2006.

Em uma mostra de possível flexibiliação, o diretor da Naftogaz, Oleg Dubina, afirmou que viajará na quinta-feira a Moscou para negociar com a Gazprom.

ant/fp/cn

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