Europa fecha acordo sobre regulação financeira antes da cúpula do G20

Os líderes das principais economias européias chegaram a um consenso neste domingo, em Berlim, sobre a necessidade de que a próxima cúpula do G20 estabeleça o endurecimento da regulação dos mercados, produtos e agentes financeiros, com o objetivo de enfrentar com mais firmeza a crise econômica mundial.

AFP |

A chanceler alemã, Angela Merkel, organizou uma reunião com seus pares da França, Grã-Bretanha, Itália, Espanha e Holanda para superar os recentes desentendimentos e aproximar posições antes da cúpula do G20, que no dia 2 de abril reunirá em Londres os líderes dos principais países industrializados e emergentes.

Os presidentes da Comissão Européia, do Banco Central Europeu (BCE), do Eurogrupo e da União Européia (UE) também participaram do encontro em Berlim.

Os líderes europeus concordaram que "todos os mercados, produtos e agentes financeiros - incluindo os 'hedge funds' e outros núcleos privados de capital que possam representar um risco sistemático - devem ser monitorados com a atenção apropriada e submetidos a uma dura regulação", como consta na declaração final da reunião.

Os 'hedge funds', altamente especulativos e pouco regulados, foram acusados de aumentar a instabilidade dos mercados e contribuir para o aprofundamento da crise mundial. Até agora, os britânicos eram os únicos a apresentar ressalvas quanto a uma regulação forte para este tipo de investimento.

Os líderes também pediram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que dobre seus recursos disponíveis, "para que possa ajudar seus membros de maneira rápida e flexível quando estes experimentarem dificuldades em sua balança de pagamentos".

Além disso, destacaram, a cúpula do G20 deve aprovar sanções para punir paraísos fiscais e outras "jurisdições não cooperativas".

As principais potências mundiais se encontram sob forte pressão para cumprir as promessas feitas na primeira cúpula do G20, em novembro do ano passado, em Washington, onde um plano de combate à crise foi traçado.

A recessão, no entanto, piorou ainda mais no mundo desenvolvido desde então, levando vários governos a lançar gigantescos planos de estímulo e levantando temores de um aumento do protecionismo, além de prejudicar a formação de uma frente única européia de combate à crise.

O chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse em Berlim que é necessário "passar à ação" na cúpula do G20.

"Em Washington, o G20 estabeleceu os novos fundamentos da ordem financeira internacional. Em abril, em Londres, cabe a nós passar à ação, e hoje estamos em Berlim para renovar este compromisso", declarou Zapatero, cujo país não integra o G20, mas participou da primeira cúpula (e participará da segunda) como convidado.

Os líderes europeus alertaram também contra o protecionismo, apesar de, na prática, vários deles terem ajudado de maneira significativa seus principais bancos e indústrias.

"Para solucionar a crise a curto prazo, só tomaremos medidas que mantenham as distorções para a competição em um mínimo absoluto, e esperamos que os outros Estados do G20 se comportem da mesma forma", indicaram.

"Além disso, nos absteremos de adotar qualquer medida protecionista, e trabalharemos para alcançar um avanço das negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) num futuro próximo", acrescentaram.

Os planos nacionais de ajuda à indústria automobilística na França, no Reino Unido e na Itália deixaram os ânimos alarmados na UE. A chamada 'tentação protecionista' provavelmente será alvo de acalorados debates na cúpula do G20.

Nos Estados Unidos, a aprovação do pacote de estímulo econômico do presidente Barack Obama, no valor de 787 bilhões de dólares, deixou países como Brasil e China, integrantes do G20, furiosos, por ter incluído a cláusula "Buy American", num apelo à população para que consuma preferencialmente produtos americanos.

lbc/ap

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