Europa faz apelo por reforma das finanças mundiais, bolsas voltam a despencar

Os apelos pela reorganização da ordem financeira mundial aumentaram nesta quinta-feira, num momento em que as bolsas européias e asiáticas experimentavam mais um pregão negativo e a Suíça anunciava um plano de resgate para salvar seu célebre sistema bancário, com um pacote de 60 bilhões de dólares para o UBS.

AFP |

A bolsa de Tóquio sofreu sua pior queda das últimas duas décadas, fechando com um recuo de mais de 11%. As bolsas européias, por sua vez, encerraram o dia com fortes baixas após a queda histórica, ontem, de 7,87% da bolsa de Nova York.

O grupo dos oito países mais industrializados (G8) planeja se reunir dentro de pouco tempo, provavelmente em novembro para examinar a crise.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que ocupa a presidência rotativa da União Européia (UE), indicou que defenderá os apelos europeus por reformas drásticas do sistema financeiro em seu encontro com o presidente americano, George W. Bush, neste final de semana, na residência presidencial de Camp David, em Maryland.

"Não temos o direito de perder esta oportunidade de reconstruir nosso sistema financeiro no século XXI", afirmou Sarkozy a encerrar uma cúpula da UE de dois dias em Bruxelas.

"Quero de fato discutir a questão do futuro do FMI (Fundo Monetário Internacional) e seu papel", insistiu.

Sarkozy disse esperar que o pagamento dos altos executivos e as reformas das moedas também sejam tratados na cúpula mundial sobre a crise financeira, que deve acontecer em novembro, após as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

"A mania de lucros a qualquer preço, que faz com que as pessoas assumam riscos a qualquer preço, vale a pena ser levada em consideração", disse Sarkozy.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, elogiado por seu plano de resgate dos bancos do Reino Unido, também pediu uma melhor supervisão do sistema financeiro.

Brown calcula que o G8 chegará em poucos dias a um acordo com China, Índia e Brasil sobre a data de uma reunião "para adotar ações comuns (...), a fim de realizar mudanças muito amplas e muito radicais".

Reunidos na quarta-feira em Nova Délhi, governantes do Brasil, da Índia e da África do Sul pediram que se levasse em consideração "o fato de que a ética também deve se aplicar à economia", e defenderam reformas que incluam "sistemas mais fortes de consultas e vigilância multinacional".

Os líderes europeus, reunidos em uma cúpula em Bruxelas, solicitaram mais supervisão na Europa depois que a crise financeira obrigou os governos a desembolsar 1,8 trilhão de euros (2,45 trilhões de dólares) para salvar bancos e mercados monetários.

Os 27 líderes da UE se comprometeram, então, a criar uma "célula de crise financeira", que atuará como um sistema de alerta rápido, e ressucitaram planos para fortalecer a supervisão européia de grupos financeiros através das fronteiras.

A Suíça se viu obrigada a adotar medidas de emergência para fortalecer seu sistema bancário, injetando quase 60 bilhões de dólares em seu principal banco, o UBS, um dos maiores prejudicados pela crise dos créditos hipotecários de risco nos Estados Unidos ('subprime').

O Estado suíço comprará uma participação temporária de 9,3% do UBS.

Outras medidas para apoiar os bancos e o sistema de crédito foram adotadas nesta quinta-feira.

As taxas de juros chaves Líbor e Euríbor caíram mais um pouco, em outro sinal de que os bancos estão dispostos a emprestar dinheiro entre si.

Oito cooperativas bancárias européias chegaram a um acordo para emprestar dinheiro entre elas, a fim de aumentar a confiança no setor financeiro, anunciou o francês Credit Agricole.

Os oito bancos - Crédit Agricole, o alemão DZ BANK, o italiano ICCREA, o finlandês Pohjola, o holandês Rabobank, o austríaco Raiffeisen Zentralbank, o suíço Raiffeisen Switzerland e o espanhol Banco Cooperativo Español - representam um quinto dos bancos de varejo da Europa.

A Bolsa de Londres perdeu 5,35%, Frankfurt fechou em queda de 4,91% e Paris recuou 5,92%. A Bolsa de Madri caiu 4,11%.

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