Europa estipula medidas para enfrentar recessão, mas sem plano generalizado

Os dirigentes europeus chegaram a um acordo nesta quinta-feira para estabelecer medidas que visam a enfrentar a recessão econômica que ameaça o continente na esteira da crise financeira.

AFP |

Depois de se entenderem em torno de um plano maciço de resgate dos bancos, os países da UE anunciaram que tomarão "as medidas necessárias para sustentar o crescimento e o emprego" frente à desaceleração preocupante da atividade, no texto final divulgado ao final de uma reunião de dois dias em Bruxelas.

Mas a idéia de um plano de reativação generalizada, sugerida pelo chanceler

austríaco Alfred Gusenbauer, não parece estar mesmo na ordem do dia dos europeus.

"Não haverá um programa de incentivo generalizado da economia na Europa, apesar do perigo de uma recessão", declarou o presidente do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, ao final da reunião de líderes da União Européia (UE)

Juncker rejeitou a idéia explicando que ela contribuiria somente para aumentar déficits públicos que já estão grandes.

"Lançar um plano desse tipo nos levaria a deixar de lado, em certos países, as regras saudáveis do Pacto de Estabilidade europeu" (que prevê limites para o déficit e a dívida pública), acrescentou.

Ele também se limitou a assegurar que o plano europeu de sustentação dos bancos, que foi aprovado por todos os 27 países da UE em Bruxelas e chega a cerca de 2 trilhões de euros, deverá permitir que a Europa evite a recessão.

A desaceleração da economia em curso, que a crise financeira vai agravar tornando mais difícil o acesso de particulares e empresas aos empréstimos bancários, mantém as praças financeiras sob tensão. Elas se mantinham muito voláteis nesta quinta-feira.

Para Juncker, as medidas anunciadas por vários países europeus para apoiar o setor financeiro terão um impacto positivo nos mercados a médio prazo.

Os chefes de Estado e de Governo, por outro lado, pediram à Comissão Européia a "formulação até o final do ano de propostas adaptadas, principalmente para preservar a competitividade internacional da indústria européia".

Os europeus, tendo a França à frente, temem particularmente pelo setor automobilístico, que atravessa uma fase difícil. As montadoras multiplicaram os anúncios de cortes de postos de trabalho no setor nas últimas semanas.

Uma outra prioridade dos europeus é iniciar uma reformulação do sistema financeiro internacional por meio de um controle maior. Eles criticam os Estados Unidos por terem se recusado a intervir por muito tempo em nome do liberalismo econômico, o que permitiu aos investidores realizar operações ainda mais arriscadas e obscuras.

O presidente Sarkozy e o presidente da Comissão Européia José Manuel Barroso devem se reunir no sábado em Camp David com o presidente George W. Bush para discutir a crise e preparar a reunião mundial que os europeus desejam que seja realizada em novembro para reconstruir o sistema financeiro.

"A Europa quer a reunião antes do final do ano, a Europa pede e a Europa conseguirá", martelou Sarkozy nesta quinta-feira.

"A Europa lutará para que essa reunião se traduza em decisões concretas e não simplesmente em princípios", insistiu também.

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