Europa eleva pressão sobre Israel contra assentamentos

Por Allyn Fisher-Ilan JERUSALÉM (Reuters) - Alemanha, França e Suécia, presidente da União Europeia neste semestre, se juntaram na terça-feira à lista de governos ocidentais que pressionam Israel a suspender a ampliação de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que reluta a congelar as obras nos territórios palestinos ocupados, pareceu dar um sinal de flexibilidade -- de acordo com um jornal, o governo tem um plano secreto para retirar mais de 20 postos avançados construídos ilegalmente por colonos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, diz que só retomará as negociações de paz com Israel se todas as construções nos assentamentos forem suspensas. As negociações foram abandonadas desde a eleição do direitista Netanyahu, em fevereiro.

Em Berlim, Ruprecht Polenz, dirigente do partido conservador da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, disse que Israel corre o risco de "gradualmente cometer suicídio como um Estado democrático" caso mantenha as obras.

Polenz, presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do Parlamento, disse ainda, em entrevista ao jornal Rheinische Post, que "Israel está ignorando o fato de que nem os palestinos nem os Estados árabes concordam com uma solução sem Jerusalém Oriental (território conquistado por Israel em 1967 e reivindicado pelos palestinos como sua capital)".

A chancelaria francesa convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para protestar contra um novo projeto habitacional israelense em Jerusalém Oriental.

Em Estocolmo, o governo sueco pediu a Israel que evite demolir casas em Jerusalém Oriental, onde milhares de pessoas correm o risco de perderem seus lares.

Israel interrompeu uma feira num hotel de Jerusalém Oriental. Nos últimos meses, vários eventos culturais palestinos foram atrapalhados sob a alegação de que um acordo de paz provisório permite que Israel impeça o governo palestino de realizar eventos na cidade.

"Querem que deixemos Jerusalém, mas não iremos deixá-la", disse Rafiq al-Husseini, assessor de Abbas.

Nem o governo nem o Exército de Israel comentaram a reportagem do respeitado jornal Haaretz, segundo as quais os militares se preparam para "desocupar à força 23 postos avançados ilegais (dos assentamentos) em um dia". De acordo com o jornal, Netanyahu sabe desse plano.

(Reportagem adicional de Madeline Chambers em Berlim, Niklas Pollard em Estocolmo, Mohammed Assadi em Ramallah, e Douglas Hamilton e Ali Sawafta em Jerusalém)

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