Europa deveria parar de temer a imigração, afirma prefeito de Paris

Quito, 11 jul (EFE).- A Europa deveria parar de temer os imigrantes, um grupo que gerou enriquecimento nesse continente, opinou hoje da capital equatoriana o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë.

EFE |

"Acho que a Europa tem que acabar com o fato de ter medo da imigração e, sobretudo, tem que parar de fazer deste um assunto eleitoreiro", declarou aos jornalistas Delanoë, que participa em Quito de uma reunião da Organização Mundial de Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU).

O prefeito da capital francesa, que preside a CGLU, não quis se aprofundar no endurecimento das leis migratórias na Europa, mas disse que os europeus deveriam olhar a imigração como um fator de desenvolvimento.

O Parlamento Europeu aprovou recentemente uma polêmica lei para regular a imigração, conhecida como "diretrizes de retorno", que prevê, entre outros aspectos, que os imigrantes ilegais possam ser retidos por um período máximo de 18 meses em casos excepcionais enquanto sua repatriação é tramitada.

A chegada de trabalhadores estrangeiros à Europa "não representa pobreza, mas uma riqueza e um enriquecimento e, por isso, penso que é necessário organizá-la e que é preciso discutir este tema com os Estados de origem" dos imigrantes, disse Delanoë.

Explicou que os assuntos sobre fluxos migratórios competem exclusivamente aos Estados, mas, como fenômeno cidadão, o assunto deve ser incluído nos projetos municipais.

"A inclusão social mobiliza todos os prefeitos do mundo e não há nenhuma cidade no mundo que não esteja defendendo a solidariedade e a luta contra a pobreza", disse Delanoë ao afirmar que em Paris "se luta para que os estrangeiros possam participar das eleições municipais".

"Temos cidades que fornecem emigrantes e as que recebem imigrantes, por isso é importante a cooperação", ressaltou o prefeito de Quito, Paco Moncayo, após destacar vários convênios migratórios que assinou com Prefeituras européias.

Entre a capital equatoriana e Madri, detalhou Moncayo, existe o projeto "La Casa del Migrante", que ajuda os imigrantes na cidade espanhola, assim como as famílias que permanecem em Quito.

Segundo Moncayo, a organização também criou vários grupos de trabalho, um dos quais, encarregado da inclusão social, investiga e estuda estratégias sobre os fluxos migratórios de caráter urbano.

Lembrou que a CGLU agrupa mais de 17 mil Prefeituras de todo o mundo e aproximadamente 50 mil organizações cidadãs.

A entidade, criada em 2004 e reconhecida pela ONU, reuniu em Quito 120 representantes dos prefeitos que são membros durante uma reunião que terminou hoje. EFE fa/bm/ma

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