Europa amplia críticas à Rússia por separatistas

Países da União Européia acentuaram nesta quarta-feira as críticas à Rússia, um dia depois de o Kremlin reconhecer formalmente a independência das duas províncias separatistas da vizinha Geórgia.

BBC Brasil |


Em um discurso, Nicolas Sarkozy, presidente da França - país que ocupa a Presidência rotativa da União Européia -, qualificou de "inaceitável" o que chamou de "tentativa russa de mudar unilateralmente as fronteiras da Geórgia".

O líder francês, que mediou um cessar-fogo entre a Geórgia e a Rússia, disse que a Rússia deve retirar suas tropas para fazer valer o acordo. "As forças militares que ainda não retornaram às linhas onde estavam antes do conflito devem fazê-lo imediatamente", disse.

Já o ministro britânico do Exterior, David Miliband, pediu em uma visita à Ucrânia uma resposta dura do Ocidente à decisão russa de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e a Abecásia, na terça-feira.

Guerra Fria

Miliband se encontrou com o presidente ucraniano Viktor Yushchenko e reiterou o apoio britânico à incorporação do país à Otan - à qual a Rússia e muitos ucranianos se opõem.

"A Rússia ainda não se reconciliou com o mapa desta região", disse o ministro britânico. "A tentativa unilateral russa de redesenhar o mapa marca um momento de importância real."

Miliband rejeitou os pedidos de que a Rússia seja excluída do G8 (originalmente G7, o grupos dos sete países mais industrializados do mundo) e pediu que uma "nova Guerra Fria" seja evitada.

"O presidente russo diz que não tem medo de uma nova Guerra Fria. Não queremos uma. Ele tem uma grande responsabilidade de não começar uma", afirmou.

Confrontação

Na segunda-feira, líderes da União Européia se encontrarão em caráter de emergência para decidir como lidar com a posição russa.

Líderes ocidentais, como o presidente americano, George W. Bush, têm advertido que as relações entre a Rússia e o Ocidente serão profundamente afetadas pelo conflito com a Geórgia no longo prazo.

Nesta quarta-feira, antes do encontro com o representante britânico, Yushchenko havia afirmado que seu país foi "refém" dos russos, no conflito que opôs a Rússia e a Geórgia por conta da Ossétia do Sul e da Abecásia.

O presidente ucraniano afirmou que vai considerar uma elevação do valor pago pela Rússia pela utilização do porto de Sevastopol, na Criméia, onde mantém estacionada sua frota do Mar Negro. Foi de lá que saiu o contingente naval russo que combateu forças georgianas durante o conflito.

Na terça-feira, o presidente russo, Dmitry Medvedev, disse em entrevista à BBC que a Rússia foi obrigada a agir por causa do que ele qualificou de "genocídio" promovido pelo governo georgiano contra separatistas.

Moscou acusa as autoridades da Geórgia de violência contra as populações da Ossétia do Sul e da Abecásia e apóia os rebeldes, comparando a situação das duas regiões à de Kosovo - província que declarou independência da Sérvia com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da União Européia.

Mapa da Geórgia

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