São Paulo - O eurodeputado espanhol Luis Herrero, expulso de Caracas pelo Governo da Venezuela, denunciou hoje que viveu uma situação parecida com um sequestro, por parte de policiais venezuelanos que o levaram sem explicações até um avião.

Herrero chegou a São Paulo em um voo da Varig que partiu de Caracas e no qual foi embarcado sem sequer saber o destino, explicou o parlamentar à Agência Efe.

"Estava tomando café no hotel, quando chegou uma pessoa vestida à paisana que se identificou como policial e disse que devia esperar uma mensagem que enviariam para mim", disse Herrero, que participaria como observador do referendo venezuelano de amanhã.

Depois, contou que chegou outra pessoa, que se identificou como representante da Chancelaria, junto com "seis ou oito policiais", que o colocaram à força "dentro de uma caminhonete", que partiu sem que ninguém dissesse o destino.

"Só me disseram que tinham recebido ordens de me expulsar do país", disse Herrero.

"Mantive a incerteza sobre o destino até que, depois de um momento, uma das pessoas que estava na caminhonete disse que me levavam para o aeroporto", contou.

O veículo, segundo Herrero, chegou ao aeroporto de Maiquetía e foi diretamente para a pista, parou em frente à escada do avião da Varig, onde o eurodeputado esclareceu que não estava com passaporte ou seus pertences, que tinham ficado no hotel.

O representante da Chancelaria enviou então um motorista, que, depois de uma hora, voltou com o passaporte de Herrero.

Durante esse tempo, o eurodeputado disse que foi obrigado a permanecer dentro do veículo, sem que ninguém informasse nada sobre sua situação nem sobre seu destino, que finalmente soube quando entrou no avião da Varig.

Naquele momento, conseguiu falar por telefone com o embaixador da Espanha na Venezuela, Dámaso de Lario, que disse que avisaria às autoridades espanholas em São Paulo, onde foi recebido pelo vice-cônsul Ignacio García.

"Não sei se em termos jurídicos, mas em termos coloquiais acho que sequestro é uma palavra que se ajusta muito bem ao que aconteceu", disse à Efe.

Herrero ratificou as críticas feitas ao Governo venezuelano, que aparentemente foram as que motivaram sua expulsão.

"Após ouvir relatos de prefeitos da oposição sobre o medo que existe e as ameaças do presidente Hugo Chávez a seus adversários, disse que esses comportamentos são próprios de uma ditadura e não me retifico nem me arrependo", disse.

Agora, após sua expulsão, afirmou que ratifica essas declarações, mas esclareceu que não quer ser "protagonista de nenhuma história", pois "as verdadeiras vítimas são os venezuelanos, que estão suportando este senhor (Chávez) há dez anos".

Segundo ele, "se este episódio serve de alguma coisa, é para que os venezuelanos tenham claro que votar 'sim' (no referendo) é perpetuar este tipo de comportamento", que é "absolutamente incompatível com uma democracia".

Considerou que "justificar uma democracia só porque há eleições é um disparate, porque, na democracia, é preciso poder votar em liberdade, sem medo, sem ameaças, sem amedrontamentos".

O eurodeputado viajará de São Paulo a Madri ainda hoje e, em relação ao referendo no qual os venezuelanos se pronunciarão sobre a possibilidade de que o presidente e outros cargos possam se candidatar sem limites à reeleição, disse que só quer que "a liberdade ganhe".

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