Eurocâmara apoia associação Brasil e México, mas alerta sobre o Mercosul

O Europarlamento deu um forte apoio nesta quinta-feira, em Estrasburgo (leste da França), ao estabelecimento de uma Associação Estratégica entre a União Europeia (UE), o Brasil e o México, apesar de criticar a implicação que isso terá nas negociacões com o Mercosul.

AFP |

Reunido em sessão plenária, o Europarlamento aprovou por ampla maioria os relatórios da eurodeputada socialista grega Maria Eleni Koppa sobre o Acordo de Associação Estratégica UE-México e o texto do conservador espanhol José Ignacio Salafranca sobre acordo idêntico UE-Brasil.

"Esta iniciativa constitui uma mensagem clara e bem-vinda: a América Latina continua na ordem de prioridades da União Europeia. É uma decisão acertada e que pode significar um salto qualitativo no papel que estes países possam ter na primera divisão das relações com a UE", afirmou Salafranca ao defender seu informe e o de sua colega grega.

"Tanto o Brasil como o México se confirmaram como protagonistas relevantes no cenário regiional e, inclusive, mundial. A UE tem de estar a par desta realidade, faz isso e reconhece estes sócios como sócios estratégicos", afirmou a comissária europeia das Relações Exteriores, Benita Ferrero Waldner, presente no debate prévio à votação.

Apesar do voto ter sido positivo, no caso do Brasil muitos eurodeputados manifestaram preocupação pelo futuro do acordo de livre comércio UE-Mercosul, paralisado desde 2004 por diferenças nos capítulos agrícola e de serviços e bens industriais.

Para o socialista espanhol Juan Frayle, o novo estatuto concedido ao Brasil deveria ser "um compromisso de maior integração regional que reforce" a cooperação da UE com o Mercosul.

Mais duro, o eurodeputado holandês Bastiaan Belder (do grupo Independência e Democracia) exigiu que a aproximação com Brasil "não se faça às custas do Mercosul".

Em julho de 2007, a UE decidiu propor uma Associação Estratégica primeiro com o Brasil e depois com o México, reconhecendo a importância destas duas nações emergentes e levando-as a um nível de relação que o bloco só tem com certas nações como EUA, China e Rússia.

Nesse contexto e, seguindo os procedimentos da UE, chegou a vez de o Europarlamento emitir suas recomendações para o início efetivo das discussões para estas associações estratégicas entre o bloco e estes dois países.

Quanto ao Brasil, o relatório parlamentar propõe incluir compromissos sobre questões de interesse comum, como o início de um "amplo diálogo" sobre a migração que desemboque na livre circulação de pessoas entre ambas as regiões.

Neste sentido, o texto da eurodeputada grega Koppa destaca "o início das negociações sobre o acordo de isenção de visto para permanência de curta duração entre UE e Brasil como um primeiro passo".

O documento fala ainda em associação estratégica com a América Latina e o Mercosul de uma forma geral, a reforma da ONU e da OMC (Organização Mundial do Comércio), a luta contra a pobreza, o meio ambiente e a liberalização do comércio.

Em outro ponto, o documento pede que a UE e o Brasil cooperem para promover os debates internacionais para um acordo global e completo sobre a mudança climática a longo prazo.

mar/lm/cn/fp

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