Estrasburgo (França), 23 out (EFE).- O Parlamento Europeu (PE) acredita que a introdução de scanneres corporais - aparelhos que farão monitoramento do corpo e da bagagem - nos aeroportos pode ter um sério impacto sobre os direitos fundamentais dos cidadãos.

Assim considerou hoje o plenário, em uma resolução aprovada por 361 votos a favor, 16 contrários e 181 abstenções, na qual aponta que, por falta de informação, "ainda não há condições" para generalizar estes sistemas como propôs a Comissão Européia (CE).

Estes scanneres, que já são usados em aeroportos europeus como o de Schipol, na capital holandesa Amsterdã, geram uma imagem em preto e branco do corpo nu do viajante, que permite aos serviços de segurança comprovar se ele transporta, por exemplo, armas ou droga sob sua roupa.

Ao mesmo tempo, oferecem uma imagem instantânea de toda a anatomia do passageiro, como hoje denunciou perante o plenário o líder do grupo socialista, Martin Schulz.

A Comissão Européia, por sua vez, defendeu a introdução dos scanneres, para melhorar a segurança.

Segundo um porta-voz comunitário, estes dispositivos "completariam de forma eficiente as medidas de segurança atuais em aeroportos e facilitariam a vida dos passageiros, ao reduzir o tempo de espera e evitar o método tradicional de registro".

A via técnica utilizada pela CE para impulsionar a medida é, precisamente, uma das grandes críticas do Parlamento, que pede a Bruxelas um estudo de impacto sobre os direitos fundamentais, que consulte o supervisor europeu de privacidade e analise os possíveis efeitos das máquinas sobre a saúde.

Além disso, o PE considera que em caso que se utilizem os scanneres corporais, será essencial ter um marco europeu que garanta os direitos dos usuários das companhias aéreas e que evite a aplicação de distintas normas em cada aeroporto.

Para a Eurocâmara, "todas as medidas de segurança aérea, incluído o uso de scanneres corporais, devem respeitar o princípio de proporcionalidade" e demonstrar ser "justificáveis e necessárias em uma sociedade democrática".

Por isso, pede a todas as autoridades relevantes que ofereçam para princípios de novembro uma opinião urgente sobre o uso dos scanneres.

O comissário europeu de Transportes, Antonio Tajani, comprometeu-se a organizar nas próximas semanas uma grande audiência para dar mais informação sobre os scanneres.

Por isso, o Partido Popular Europeu (PPE) solicitou hoje ao resto de grupos adiar o voto da opinião da câmara ao plenário de novembro, um pedido que não foi atendida. EFE mvs/jp

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