EUA vivem eleições mais cibernéticas de sua história

Paula Gil. San Francisco, 4 nov (EFE).- A internet não apenas representou um marco este ano ao protagonizar a campanha eleitoral mais cibernética da história dos Estados Unidos; pode bater também todos os recordes de visitas hoje em milhares de páginas dedicadas à apuração de votos e a análises.

EFE |

Entre as inúmeras dúvidas que pairam sobre o atual processo eleitoral americano, não está o grande peso que teve a internet, à qual recorreram sem comedimentos os candidatos para chegarem aos eleitores ou arrecadarem fundos.

Até o candidato republicano John McCain - que reconheceu publicamente que depende de sua esposa ou de seus assessores para mandar e-mails ou navegar pela rede - se rendeu ao poder da internet para conseguir o maior número de apoios possíveis.

Hoje, dia das eleições, e especialmente amanhã, as páginas de internet noticiosas viverão seu momento de glória, com um número de visitantes muito superior ao de pleitos anteriores, pois cada vez mais americanos preferem ler notícias na tela do computador.

A "Yahoo! News", uma das páginas mais populares de informação online, prevê superar amplamente os 80 milhões de visitantes recebidos no pleito de 2004 e os 142 milhões do dia seguinte.

"Esperamos dobrar ou inclusive triplicar esse número agora", disse Neeraj Khemlani, vice-presidente de programação e desenvolvimento do "Yahoo! News".

A página aumentou sua oferta para hoje e incorporou novas ferramentas interativas, como o "tabuleiro político", onde os usuários podem "jogar" com os possíveis resultados de cada Estado e compará-los com os de pleitos anteriores.

Conscientes da importância da grande rede, quase todas as emissoras de TV ou grandes jornais criaram páginas especiais com novos serviços para os usuários.

A rede de TV "MSNBC" lançou "Results Widget", uma ferramenta que mostra os últimos resultados eleitorais na página do usuário em redes virtuais de relacionamento como Facebook e MySpace.

O jornal "The New York Times" introduziu um serviço de mensagens curtas para manter permanentemente informados seus leitores por meio de celulares, e o "USA Today" criou o "Candidate Match Game", uma página com informação sobre os candidatos para os ainda indecisos.

O "New York Times", que espera superar amanhã o recorde de visitas a sua versão online, também pediu a seus leitores que tirem fotos de sua experiência nas urnas e que as publiquem na página do jornal, junto com comentários próprios.

Já o Google quis contribuir para facilitar a vida do eleitorado americano com a seção "Voter Info", que permite a inserção de um endereço e a obtenção, em um mapa interativo, de todos os locais disponíveis para votação na região.

Uma vez na urna, a experiência pode ser tão memorável - ou penosa - que o eleitor pode querer compartilhá-la com outros internautas.

Para isso, o YouTube criou junto com a rede pública "PBS" uma página especial para que os eleitores enviem seus vídeos relacionados com a jornada eleitoral.

A "PBS" e o YouTube distribuirão ainda mil câmeras de vídeo entre ONG's não ligadas a partidos para que seus membros gravem o processo de votação em centros onde isso for permitido, com o objetivo de registrar, por exemplo, possíveis irregularidades.

Neste sentido, o site da "CNN" criou uma página especial para que os internautas informem sobre eventuais problemas na hora de votar, situando eventuais queixas em um mapa para estabelecer comparações por municípios.

A tecnologia, precisamente, poderia ser a causa de muitas queixas hoje, pois as máquinas de votação confundem muitos eleitores e alguns analistas advertiram sobre possíveis problemas técnicos.

A famosa apresentadora de TV Oprah Winfrey denunciou que a máquina com tela sensível ao toque na qual votou - alguns estados dos EUA permitem o voto antecipado - não registrou sua escolha em uma primeira tentativa.

"Maquina de votar Diebold: terminal sofisticado e computadorizado que muda seu voto por um de Mitt Romney", ironiza a página de internet do diário de humor "The Onion" citando o pré-candidato republicano à Casa Branca e a empresa que fabrica as máquinas. EFE pg/fr

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