EUA veem elo entre Paquistão e autores de ataques em Cabul

Rede Haqqani, suspeita de estar por trás dos atentados que deixaram 25 pessoas mortas, tem raízes no Paquistão

BBC Brasil |

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O embaixador dos Estados Unidos no Paquistão, Cameron Munter, disse neste sábado que existem evidências que ligam o governo paquistanês à rede militante Haqqani, suspeita dos ataques à embaixada americana e ao quartel-general da Otan na capital do Afeganistão , Cabul, na última semana.

"Isto é algo que deve parar", disse Munster em entrevista à Radio Pakistan, ao discutir os ataques da terça-feira. Pelo menos 25 pessoas morreram durante as 20 horas de ataques atribuídos à rede Haqqani, que teria o Paquistão como base. As autoridades paquistanesas negam com veemência quaisquer ligações com grupos militantes.

O grupo Haqqani, que é um aliado próximo do movimento militante islâmico Talebã, já foi responsablizado por diversos ataques de grandes proporções a alvos ocidentais, indianos e governamentais no Afeganistão. Segundo autoridades paquistanesas, a rede é um grupo predominantemente afegão, mas correspondentes afirmam que as suas raízes estão profundamente fincadas no Paquistão, enquanto as especulações sobre seus elos com as forças de segurança de Islamabad ganham força.

"O ataque que ocorreu em Cabul alguns dias atrás foi um trabalho da rede Haqqani, e o fato de que, como nós dissemos anteriormente, existem problemas, existem evidências ligando ligando a rede Haqqani ao governo paquistanês, isto é algo que deve parar", disse o embaixador americano na entrevista.

Embora autoridades americanas tenham suspeitas antigas sobre as supostas ligações, elas raramente fazem declarações públicas e diretas como as de Munster.

Relações estremecidas
Em julho, a autoridade máxima das Forças Armadas americanas, almirante Mike Mullen, disse que o governo paquistanês "sancionou" o assassinato do jornalista investigativo Saleem Shahzad. O Paquistão chamou a declaração de "irresponsável".

Analistas dizem que autoridades americanas há muito tempo se sentem frustradas com o que veem como uma inércia do Paquistão em relação à rede Haqqani, que teria como base as áreas tribais do país. Na última semana, Washington disse que pode atacar militantes do grupo em território paquistanês se as autoridades do país falharem em agir.

As relações entre Estados Unidos e Paquistão se deterioraram fortemente depois da morte do chefe da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em maio deste ano, em uma operação militar americana conduzida na cidade paquistanesa de Abbottabad. Além disso, os ataques de aviões não-tripulados americanos contra militantes nas áreas tribais paquistanesas e a controvérsia quanto à soltura de Raymond Davis, um americano contratado pela CIA que matou dois paquistaneses na cidade de Lahore, também contribuíram para a piora das relações.

Munter reconheceu que as relações têm se mantido "duras" e disse que chegou a hora para que os dois países trabalhem juntos para derrotar os militantes. "Do nosso lado, achamos que combatê-los juntos é a melhor maneira de fazê-lo", disse o embaixador.

Entrevista de Haqqani
No entanto, Sirajuddin Haqqani, filho do líder da rede Haqqani, disse à agência Reuters que o grupo não tem mais bases em solo paquistanês, já que, segundo ele, os militantes se sentem seguros dentro do Afeganistão.

"Já se foram os dias em que nós estávamos nos escondendo nas montanhas ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão", afirmou ele. "Agora nos consideramos mais seguros entre a população afegã."

Haqqani também disse que o grupo pode participar dos diálogos de paz com Cabul e Washington, caso o Talebã também endosse essas conversações. Segundo a Reuters, o grupo anteriormente rejeitava tais aberturas. O filho do líder se recusou a comentar os ataques de terça-feira, dizendo que ele foi instruído pelo altos líderes da rede a se manter calado caso alvos ocidentais fossem atacados. A Reuters diz que Haqqani falou por telefone, a partir de um local não identificado.

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