EUA vão transferir parte dos presos de Guantánamo para Illinois

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - O governo de Barack Obama anunciou na terça-feira a transferência de alguns presos da base de Guantánamo, em Cuba, para uma penitenciária no Estado de Illinois. A oposição republicana criticou a ideia de levar presos de alto risco para território norte-americano.

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Em carta ao governador Pat Quinn, os principais assessores de segurança nacional do governo dos EUA disseram que a administração federal levará adiante a aquisição do Centro Correcional Thomson, no noroeste de Illinois, a fim de "abrigar um número limitado de detentos de Guantánamo".

"Não só isso ajudará a resolver o urgente problema de superlotação nas nossas prisões federais como também ajudará a cumprir a meta de fechar o centro de detenção de Guantánamo de forma expedita, segura e legal", disse a carta assinada pelos secretários Hillary Clinton (Estado) e Robert Gates (Defesa), entre outros.

Ao tomar posse em janeiro, Obama prometeu desativar em um ano a prisão da base de Guantánamo, que fica em Cuba e começou a receber suspeitos estrangeiros de terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

O Congresso já aprovou uma lei que proíbe a transferência dos presos de Guantánamo para o território norte-americano, a não ser que haja intenção de processá-los na Justiça regular do país. Os democratas pretendem derrubar essa restrição se o governo apresentar um plano aceitável para tratar os prisioneiros.

Mas o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, disse que os norte-americanos e o Congresso "já rejeitaram trazer terroristas para o solo dos EUA para uma detenção de longo prazo, e a atual lei proíbe isso".

Ele disse que a prisão de Illinois será uma espécie de "Gitmo (Guantánamo) do Norte", e que o governo não explicou como isso "tornará os norte-americanos mais seguros do que mantendo esses terroristas fora das nossas costas, numa instalação segura em Cuba".

Lamar Smith, líder dos republicanos no Comitê de Justiça da Câmara, lamentou que a medida "dê aos combatentes inimigos terroristas acesso aos mesmos direitos que os cidadãos dos EUA", o que poderia "dificultar que os promotores obtenham uma condenação".

A carta do governo diz que o Departamento de Defesa vai administrar parte da prisão de segurança máxima, que fica numa área rural do oeste de Chicago e foi construída em 2001. Depois de estatizada, ela será adaptada para alcançar o mesmo padrão de segurança da única penitenciária de segurança "supermáxima" dos EUA, no Colorado.

Quinn elogiou a decisão do governo.

(Reportagem adicional de Timothy Gardner e Ross Colvin)

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