EUA vão revisar política sobre gays nas Forças Armadas

Os Estados Unidos estudam a possibilidade de acabar com a atual política sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas do país, conhecida como não pergunte, não conte, e passar a permitir a presença de militares abertamente gays. Em depoimento à Comissão de Serviços Armados do Senado nesta terça-feira, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas americanas, o almirante Mike Mullen, disse que permitir que homossexuais assumidos sirvam às Forças Armadas é a coisa certa a fazer.

BBC Brasil |

"De qualquer ângulo que eu observe esta questão, não posso deixar de ficar perturbado com o fato de que temos em vigor uma política que obriga jovens homens e mulheres a mentir sobre quem são para poder defender os cidadãos de seu país", disse Mullen, ao ressaltar que essa é sua opinião pessoal.

Também em depoimento ao Senado, o secretário de Defesa, Robert Gates, anunciou a criação de um grupo de trabalho, formado por representantes civis e militares, para estudar ao longo de um ano a possibilidade de revisão da atual política e os efeitos que isso teria sobre as Forças Armadas.

Os depoimentos de Gates e de Mullen, os dois principais nomes da Defesa dos Estados Unidos, foram vistos por analistas como um passo importante em direção à mudança nas regras.

Em seu discurso do Estado da União, na semana passada, o presidente Barack Obama já havia prometido acabar com a proibição da presença de homossexuais assumidos nas Forças Armadas. A revisão da lei depende do Congresso.

Polêmica
A atual legislação foi aprovada pelo Congresso em 1993, em substituição a uma lei anterior que proibia completamente a presença de homossexuais nas Forças Armadas. As regras atuais exigem que militares gays mantenham sua orientação sexual em segredo, sob pena de expulsão.

Na época, o então presidente, Bill Clinton, defendia o fim total da proibição, mas o Congresso considerava que isso poderia ter um efeito negativo sobre as Forças Armadas.

A revisão da legislação deverá causar polêmica. Durante a audiência no Congresso, o senador republicano John McCain disse estar "profundamente decepcionado" com os planos de revisar a lei.

"Isso seria uma mudança substancial e polêmica em uma política que tem sido bem-sucedida ao longo de duas décadas", disse McCain. "Também representaria mais um desafio para nossos militares, em um momento que já é de grande estresse e tensão."
No entanto, Mullen disse acreditar que os militares são capazes de lidar com a mudança e afirmou ter aprendido a "nunca subestimar sua capacidade de adaptação".

Dados do Pentágono indicam que, somente no ano passado, 428 membros das Forças Armadas foram expulsos por serem homossexuais assumidos. Em 2008 foram 619 expulsões.

No total, calcula-se que cerca de 11 mil militares tenham sido expulsos desde a entrada da lei em vigor.

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