EUA vão enviar embaixador a Mianmar

Após libertação de prisioneiros políticos no país, Hillary Clinton anuncia que países farão troca de embaixadores

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou que os Estados Unidos vão enviar um embaixador a Mianmar, o que representa uma resposta positiva à libertação dos prisioneiros políticos e outras reformas realizadas no país.

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AP
Hillary Clinton faz pronunciamento no Departamento do Estado americano, em Washington (12/1)

Clinton fez o pronunciamento nesta sexta-feira depois que o presidente birmanês Thein Sein anunciou um perdão e libertou centenas de detidos, incluindo alguns detidos proeminentes.

Na quinta-feira, o governo de Mianmar também aprovou um cessar-fogo com os rebeldes da etnia karen na esperança de acabar com uma das mais antigas insurgências do mundo e eventualmente resolver os conflitos com grupos separatistas no país.

Em um comunicado, o presidente Barack Obama descreveu a libertação dos prisioneiros como "um substancioso passo em direção à reforma democrática". Obama disse que pediu às autoridades do seu país que tomassem "passos adicionais para construir a confiança" com Mianmar.

"Muito mais ainda precisa ser feito para restabelecer as aspirações do povo birmanês, mas os Estados Unidos estão empenhados em manter o nosso compromisso", disse.

O retorno da restauração das relações exteriores ocorrem depois que Obama enviou Hillary ao país em dezembro, em uma histórica visita de uma autoridade americana no país, fato que não ocorria há quase cinquenta anos.

Com a visita de Hillary, o governo Obama apostava em um impulso à promoção dos direitos humanos, limitando a cooperação com a Coreia do Norte e reduzindo a influência chinesa em uma região onde os EUA e seus aliados temem a ascensão desse país.

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A reaproximação dos dois países começou após a realização de eleições em Mianmar no ano passado que deu o poder a um novo governo, que prometeu maior abertura. O enviado especial do governo americano para o país já fez três viagens nos últimos três meses e o diplomata dos EUA para direitos humanos realizou uma.

Thein Sein, ex-oficial do Exército, tem feito lentamente as reformas depois de Mianmar ter passado por décadas sob regimes militares sucessivos que cancelaram as eleições de 1990, que dariam a vitória para a Liga Nacional da líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz Aug San Suu Kyi.

No ano passado, o parlamento aprovou uma lei garantindo o direito de protestar, e melhorias foram feitas em áreas como a imprensa, o acesso a internet e a participação política. A LND, que boicotou as primeiras eleições, é agora um partido registrado.

Mas o governo que está no poder desde março ainda é dominado por militares e os compromissos de Mianmar com a democracia e sua boa vontade em limitar seus laços com a China são incertos. O governo ainda é marcado por corrupção, centenas de prisioneiros políticos permanecem na cadeia e conflitos étnicos ainda tomam conta do país. O Exército é acusado de torturar e matar, segundo grupos ativistas de direitos humanos.

Com AP

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