EUA usaram "afogamento simulado" para obter informações sobre Bin Laden

Diretor da CIA afirma que prisioneiros foram submetidos a método conhecido como "waterboarding", considerado forma de tortura

iG São Paulo |

O diretor da CIA (agência americana de inteligência), Leon Panetta, afirmou nesta terça-feira que um método de interrogatório conhecido como "waterboarding" (forma de tortura que simula afogamento) foi usado com alguns dos prisioneiros que forneceram informações que levaram à descoberta do paradeiro de Osama bin Laden.

Em entrevista à rede americana NBC, Panetta foi cuidadoso ao responder questões sobre o uso de waterboarding, dizendo várias vezes que as pistas que levaram os EUA ao esconderijo do líder da Al-Qaeda vieram de "múltiplas fontes".

AP
Leon Panetta (dir) deixa o Congresso americano em Washington (03/05)

No entanto, ele admitiu que alguns dos prisioneiros que forneceram informações relevantes foram submetidos a "técnicas coercitivas de interrogatório". Quando o entrevistador perguntou se uma destas técnicas era o método conhecido como waterboarding, Panetta respondeu: "Correto".

Panetta acrescentou que "o debate sobre se os EUA poderiam ter conseguido as mesmas informações de outra forma sempre ficará em aberto".

O waterboarding consiste em amarrar um pedaço de pano ou plástico na boca do prisioneiro e, em seguida, derramar água sobre seu rosto. O detido começa a inalar água rapidamente, causando a sensação de afogamento.

Na entrevista, Panetta ressaltou que o governo paquistanês "nunca soube nada sobre a missão", pois os Estados Unidos a classificaram como "unilateral".

"O presidente Obama tinha deixado muito claro aos paquistaneses que, se tivéssemos provas sólidas de onde estava localizado Bin Laden, entraríamos (em território paquistanês) para pegá-lo. E é justamente isso o que ocorreu", explicou o diretor da CIA.

Paquistão

A descoberta de que Osama bin Laden estava escondido na cidade de Abbottabad, a cerca de uma hora da capital do Paquistão, representa um golpe devastador para o Exército e as agências de inteligência do país. Após anos negando que o líder da Al-Qaeda estivesse em seu território, o governo paquistanês agora tenta preservar as já frágeis relações com os Estados Unidos.

Embora o governo americano tenha tomado cuidado para não acusar diretamente o Paquistão de dar abrigo a Bin Laden, a Casa Branca vai exigir respostas sobre como o líder terrorista pôde viver tanto tempo no país – e em uma fortaleza localizada perto de uma academia militar.

Mesmo antes da morte de Bin Laden, a tensão entre os Estados Unidos e o Paquistão já era crescente. O governo paquistanês vinha pressionando por uma diminuição no número de agentes de inteligência americana no país e pela divulgação de informações claras sobre as atividades da CIA em seu território.

Para analistas, o “poder de barganha” do Paquistão nessa negociação diminui consideravelmente após a morte de Bin Laden. A avaliação americana é de que a operação que localizou Bin Laden deixa clara a importância das missões secretas da CIA no território paquistanês.

Com EFE e BBC

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