Londres, 9 fev (EFE).- O Exército dos Estados Unidos utilizou a fábrica de armas atômicas do Reino Unido para seu próprio programa de pesquisas sobre ogivas nucleares, burlando assim as restrições impostas pelo Congresso britânico, informa o jornal The Guardian.

Segundo funcionários do Governo americano, pesquisas "muito valiosas" foram feitas na fábrica de armas nucleares de Aldermaston, no condado de Berkshire, como parte de um acordo secreto entre os dois Governos.

O Ministério da Defesa britânico, Des Browne, reconheceu que sua colaboração com os EUA envolve o "arsenal existente de ogivas atômicas e possíveis opções para sua substituição" por outras novas, mas não quis dar mais detalhes.

Segundo Kate Hudson, do Comitê para o Desarmamento Nuclear do Reino Unido, "tudo o que abrir caminho para uma nova geração de ogivas atômicas joga por terra o compromisso de desarmamento que assinou este país com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear".

O porta-voz para assuntos de Defesa do oposicionista Partido Liberal, Nick Harvey, afirmou por sua vez que o Parlamento e os cidadãos reagirão "com indignação" à perspectiva de que os contribuintes britânicos estejam financiando um novo programa nuclear americano.

A colaboração entre Estados Unidos e Grã-Bretanha no desenvolvimento de novas cabeças atômicas foi revelada graças às declarações que fez em Londres John Harvey, diretor de planejamento da US National Nuclear Security Administration.

Segundo o "Guardian", não está claro se essas experiências militares continuam, mas Harvey reconheceu que Washington e Londres haviam chegado a um acordo sobre cooperação bilateral. EFE jr/jp

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