EUA torturaram prisioneiro saudita, diz alta funcionária do Pentágono

Washington, 14 jan (EFE).- Os militares americanos torturaram um saudita que supostamente ia participar dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, diz o testemunho de uma alta funcionária que é publicado hoje pelo jornal The Washington Post.

EFE |

"Torturamos (Mohammed al) Qahtani", disse Susan Crawford em sua primeira entrevista desde que o chefe do Pentágono, Robert Gates, a designou em fevereiro de 2007 para que formalizasse os juízos perante os tribunais militares especiais dos supostos terroristas detidos em Guantánamo.

Segundo o jornal, Crawford disse que os interrogatórios aos quais Qahtani foi submetido incluíram o isolamento prolongado, a privação do sono, a nudez e a exposição prolongada ao frio que o deixaram em "uma condição que ameaçava sua vida".

"Seu tratamento corresponde à definição legal de tortura", acrescentou Crawford. "E por isto é que não referi o caso" para um julgamento.

Crawford disse que a combinação de técnicas de interrogatório, sua duração e o impacto sobre a saúde de Qatani a levaram a esta conclusão.

"As técnicas que usaram foram todas autorizadas, mas a forma nas quais as aplicaram foi excessivamente agressiva e persistente demais", acrescentou.

"Quando alguém pensa em tortura pensa em alguns atos físicos horrendos infligidos a um indivíduo", acrescentou. "Isto não foi um ato em particular, foi uma combinação de coisas que tiveram um impacto médico que prejudicaram sua saúde".

O presidente eleito Barack Obama, que será investido na próxima terça, disse que repudia a tortura e que considera que alguns métodos aplicados durante o mandato do presidente George W. Bush constituem tortura, mas se mostrou menos drástico quanto à investigação e processo dos responsáveis pelos mesmos.

Os promotores militares disseram em novembro que apresentarão novas acusações contra Qahtani que se sustentam em interrogatórios mais recentes e que não empregaram estes métodos.

Crawford, que já desprezou as acusações por crimes de guerra contra Qahtani em maio, disse na entrevista que não permitirá que os promotores levem adiante o caso.

Qahtani teve a entrada nos Estados Unidos negada um mês antes dos ataques de 11 de Setembro de 2001, e segundo a promotoria deve ser o 20º integrante dos grupos de terroristas que realizaram esta ação.

Os militares americanos capturaram Qahtani no Afeganistão e o levaram para Guantánamo em janeiro de 2002. Os interrogatórios ocorreram durante 50 dias entre novembro de 2002 e janeiro de 2003 e ele permaneceu isolado até abril de 2002, afirma o jornal. EFE jab/fal

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