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EUA terão escolhas difíceis para conter déficit, diz Bernanke

O presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), Ben Bernanke, fez nesta quarta-feira um alerta para a urgência de conter o déficit fiscal do país. Abordar os problemas fiscais do país irá exigir escolhas difíceis, mas adiar esses problemas somente tornaria (as escolhas) ainda mais difíceis, disse Bernanke, em depoimento à Comissão de Economia do Congresso.

BBC Brasil |

O déficit americano no ano fiscal de 2009 chegou a US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,4 trilhões), ou 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior percentual desde a Segunda Guerra Mundial.

Para este ano, segundo Bernanke, a previsão é de que o déficit seja "quase tão grande" quanto o anterior.

Segundo Bernanke, em grande parte esses déficits "extremamente altos" são resultado das medidas tomadas para combater a recessão e restaurar a estabilidade financeira.

"Mas uma parte importante do déficit parece ser estrutural, isto é, deve permanecer (alto) mesmo depois que as condições econômicas e financeiras voltem ao normal", disse o presidente do Fed.

Projeções
Bernanke citou projeções do governo americano e da Comissão de Orçamento do Congresso de que o déficit vai registrar queda nos próximos dois anos, à medida que políticas temporárias de estímulo sejam retiradas e a recuperação econômica avance.

O presidente do Fed ressaltou, porém, que apesar disso a expectativa do governo e da Comissão de Orçamento é de que o déficit permaneça alto até 2020, em cerca de 4% a 5% do PIB.

Segundo Bernanke, caso seja levado em conta um cenário mais pessimista, o déficit poderia chegar a 9% do PIB em 2020, o que levaria a dívida pública a ultrapassar 100% do PIB.

O presidente do Fed disse que um plano para conter o déficit fiscal traria benefícios de curto prazo em termos de taxas de juros e aumento da confiança do consumidor e dos mercados.

"Apesar de grandes déficits serem inevitáveis no curto prazo, manter a confiança do público e dos mercados financeiros exige que legisladores atuem decisivamente para colocar o orçamento federal em uma trajetória rumo ao equilíbrio fiscal sustentável", disse.

Livro Bege
Em seu depoimento, Bernanke disse que há alguns sinais positivos de recuperação da economia americana. "Uma recuperação da atividade econômica parece ter se iniciado na segunda metade do ano passado", disse.

Bernanke expressou, porém,preocupação com a alta taxa de desemprego nos Estados Unidos, atualmente em 9,7%.

Segundo economistas, apesar de o mercado de trabalho começar a dar alguns sinais de recuperação, esse processo dever ser lento, e a taxa de desemprego deve permanecer alta por um longo período.

"Se o ritmo da recuperação for moderado, como eu espero, será necessário um longo período de tempo para restaurar os 8,5 milhões de empregos que nós perdemos nos últimos dois anos", disse Bernanke, referindo-se ao número de empregos perdidos desde que os Estados Unidos entraram em recessão, em dezembro de 2007.

Pouco depois do depoimento do chefe do Fed, foi divulgado o chamado "Livro Bege", que traz uma análise do estado da economia americana feita pelas unidades do Fed em 12 regiões do país.

O documento ecoa as afirmações de Bernanke e afirma que a atividade econômica registrou "alguma melhora" em 11 das regiões analisadas (St. Louis foi a exceção), mas que o mercado de trabalho continua fraco.

Reforma financeira
O depoimento de Bernanke ao Congresso foi feito no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu líderes republicanos e democratas na Casa Branca e pediu que apressem a reforma do sistema financeiro americano.

O projeto enfrenta forte resistência da oposição republicana no Senado. No encontro, Obama pediu aos parlamentares dos dois partidos que trabalhem para chegar a um consenso.

Segundo o presidente, o objetivo da reforma é impedir que os contribuintes tenham de voltar a resgatar grandes bancos e instituições financeiras no futuro, como ocorreu durante a crise.

Alguns republicanos, porém, dizem que o projeto atual institucionaliza o resgate de bancos falidos.

A reforma financeira é considerada o próximo grande desafio da agenda política de Obama, depois da aprovação, no mês passado, da polêmica lei de reforma do sistema de saúde.

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