MIAMI - Os Estados Unidos não querem que o clamor internacional para que normalize suas relações com Cuba domine a Cúpula das Américas na semana que vem, disse um diplomata americano de alto escalão na quinta-feira.


Vários líderes da América Latina e Caribe já avisaram que usarão a cúpula de Trinidad e Tobago, entre os dias 17 e 19, para pressionar o presidente Barack Obama a acabar com o embargo contra a ilha comunista, em vigor há 47 anos.

O embaixador Jeffrey Davidow, assessor da Casa Branca para a cúpula, disse que a reunião será uma oportunidade de o novo governo dos EUA se envolver e trabalhar com a região em questões estratégicas, como o combate à crise econômica, soluções energéticas e ameaças à segurança comum.

"Eu acharia lamentável perder a oportunidade, distraindo-se com a questão cubana", disse Davidow numa conferência em Washington.

Obama, no cargo desde janeiro, promete atenuar o embargo econômico e se mostra disposto a dialogar com o regime comunista. Mas o governo dos EUA deixa claro que a suspensão total continua condicionada à democratização de Cuba.

O governo cubano, suspenso da Organização dos Estados Americanos desde 1962, devido ao seu alinhamento com o então bloco soviético, não participa da cúpula de Trinidad, que reúne 34 chefes de Estado e governo.

Davidow admitiu que a questão "altamente contenciosa" de Cuba deve "aparecer de alguma forma" na cúpula, mesmo que não conste na pauta oficial.

Nas últimas semanas, líderes regionais díspares como o anfitrião Patrick Manning, primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, ou os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Hugo Chávez (Venezuela), proclamaram em alto e bom som sua oposição ao embargo, que eles qualificam como "obsoleto".

Embora compartilhe de tal opinião, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse nesta semana que o retorno de Cuba ao grupo regional não deve ser um assunto para a próxima cúpula.

Analistas dizem que muitos governantes da região podem ver a resposta de Obama à questão cubana como um teste de até que ponto ele leva a sério a sua promessa de uma relação renovada e mais colaborativa com a América Latina.

"A América Latina - agora mais confiante, mais poderosa - elevou Cuba a um status emblemático", disse o advogado Robert Muse, que já foi chamado a falar sobre questões jurídicas envolvendo Cuba na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano.

"Os líderes estão dizendo a Obama: 'Se você é sério, então faça alguma coisa real a respeito de Cuba'", acrescentou Muse. Há expectativa de que em breve o governo Obama anunciará a redução das restrições para viagens e envios de dinheiro de cubanos radicados nos EUA.


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