A taxa de desemprego real chegou a 16% nos EUA, levando em consideração os trabalhadores desestimulados e os que não trabalham o quanto gostariam, declarou nesta quarta-feira Dennis Lockhart, um dos dirigentes do banco central americano (Fed).

"Se levarmos em conta as pessoas que queriam um emprego, mas pararam de procurar (os chamados trabalhadores desestimulados) e os que trabalham um número de horas menor do que gostariam, a taxa de desemprego passaria dos 9,4% oficiais para 16%", declarou Lockhart em discurso em Chattanooga, Tennessee (sul dos EUA).

Apesar de constarem no censo, estas duas categorias de pessoas não são contabilizadas na população economicamente ativa nos dados publicados todo mês pelo departamento de Trabalho americano, encarregado de determinar a taxa de desemprego oficial, escapando assim à contagem do número de desempregados.

De acordo com os dados mais recentes do ministério, a taxa de desemprego nos Estados Unidos era de 9,4% no fim de julho.

Lockhart, que dirige a sede do Fed em Atlanta, Geórgia (sul dos EUA) é o primeiro dirigente de banco central a reconhecer, assim, a dimensão real do desemprego.

Como o ritmo da retomada do mercado de trabalho deve ser muito lento, Lockhart disse que será difícil para as autoridades agir contra o desemprego, aumentando mais ainda as despesas públicas.

"Os efeitos completos (do plano de retomada orçamentário promulgado em fevereiro) não são ainda claros", de acordo com o texto de seu discurso enviado à imprensa em Washington, fazendo abertamente referência aos temores surgidos com o aumento da dívida nacional, já em nível recorde.

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