EUA suspendem sanções após declaração nuclear da Coréia do Norte

Macarena Vidal Washington, 26 jun (EFE).- Os Estados Unidos anunciaram hoje que suspenderão parcialmente as sanções à Coréia do Norte após Pyongyang apresentar o esperado relatório sobre seu programa nuclear.

EFE |

Em declaração no jardim da Casa Branca, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que sua Administração notificará o Congresso que, em 45 dias, eliminará a Coréia do Norte da lista de países patrocinadores do terrorismo.

Os EUA também suspenderão as sanções comerciais impostas pela Lei de Comércio com o Inimigo, o que deixará Cuba como o único país afetado por essa medida.

Essas sanções impedem que as empresas americanas façam negócios com a Coréia do Norte. A inclusão de Pyongyang na lista de patrocinadores do terrorismo não permite que o Governo norte-coreano receba empréstimos do Banco Mundial (BM) e com outras instituições internacionais.

O anúncio de Bush representa um grande giro na política dos EUA em relação à Coréia do Norte, um dos países que o presidente tinha incluído no eixo do mal, juntamente com Irã e Iraque no início de seu mandato.

Bush disse que, apesar de tudo, "os EUA não têm ilusões sobre o regime norte-coreano".

Segundo o presidente americano, mesmo assim as medidas anunciadas hoje têm como objetivo comunicar Pyongyang que "nós confiaremos em vocês na medida em que vocês cumprirem suas promessas. Fico feliz com os progressos, mas não tenho ilusões".

"Esse é o primeiro passo. Não é o final do processo, é o começo do processo", declarou.

O anúncio da Casa Branca acontece depois de funcionários norte-coreanos entregarem hoje às autoridades chinesas em Pequim sua esperada declaração sobre as atividades e instalações nucleares.

A Coréia do Norte também destruirá amanhã na frente da mídia internacional uma torre do complexo atômico de Yong-byon em uma amostra de seu compromisso com a desnuclearização do país.

A declaração de atividades nucleares, pendente desde dezembro, é resultado de um acordo com EUA, Rússia, China, Coréia do Sul e Japão dentro das conversas multilaterais que acontecem em Pequim desde 2003 com o objetivo de convencer Pyongyang a se desfazer de seu programa nuclear em troca de incentivos diplomáticos e econômicos.

Esse acordo definia que a Coréia do Norte entregaria, antes de dezembro do ano passado, dados "completos e verificáveis" de seu programa nuclear e reconheceria as preocupações internacionais com a proliferação de armamento e das tarefas de enriquecimento de urânio.

Em declarações à imprensa, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, disse que as sanções que serão suspensas são "relativamente de pouca importância".

A medida beneficiará principalmente aqueles que procurarem importar bens procedentes da Coréia do Norte ou realizar transações financeiras com esse país, explicou Hadley.

"A Coréia do Norte continua sendo um dos países mais sancionados" pela comunidade internacional, acrescentou Hadley, que lembrou que todas as sanções impostas pela ONU continuam valendo.

Além disso, se o regime do líder norte-coreano, Kim Jong-il, descumprir suas promessas, "serão impostas mais restrições".

Nos próximos dias, os especialistas americanos analisarão cuidadosamente o conteúdo da declaração da Coréia do Norte.

O inventário deve apresentar informação sobre suas instalações nucleares, mas também quantificar de maneira verificável o volume de plutônio.

Embora esse número não resolva a dúvida sobre o número de ogivas nucleares da Coréia do Norte, segundo o secretário de Estado adjunto americano Christopher Hill, o principal negociador de Washington com Pyongyang, o volume de plutônio "é o ponto essencial da questão, pois é o material com o qual as bombas são fabricadas".

A Coréia do Norte demonstrou que tem capacidade atômica quando realizou um teste nuclear subterrâneo em outubro de 2006.

Os dados sobre o armamento nuclear para a próxima etapa das negociações multilaterais, nas quais Pyongyang deve abandonar seu programa de armamento atômico. EFE mv/wr/plc

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