Medida é tomada em retaliação à decisão de Pyongyang de que lançará foguete visto pela comunidade internacional como teste militar

AP
Veterano sul-coreano segura placa com foto do novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante protesto contra Pyongyang em Seul (16/3)
Os EUA anunciaram nesta quarta-feira a suspensão do plano de enviar ajuda humanitária à Coreia do Norte em retaliação à decisão do regime de Pyongyang de lançar em abril um foguete para supostamente pôr em órbita um satélite . Para a comunidade internacional, o lançamento é, na verdade, um teste de míssil de longo alcance disfarçado, ato proibido por resoluções da ONU.

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A operação está prevista para entre 12 e 16 de abril para comemorar o centenário de nascimento do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, segundo a agência oficial norte-coreana KCNA. Um foguete Unha-3 lançará o satélite de observação terrestre norte-coreano Kwangmyongsong-3, disse em 16 de março a KCNA citando um porta-voz do Comitê de Tecnologia Espacial.

O lançamento previsto pela Coreia do Norte "reflete sua falta de desejo de cumprir com seus compromissos internacionais, portanto nos vimos forçados a suspender a ajuda alimentar que fornecemos" a esse país, informou aos legisladores o secretário-adjunto de Defesa para assuntos da Ásia e do Pacífico, Peter Lavoy.

Diante das decisões da Coreia do Norte, os EUA não confiam na possibilidade de "assegurar que a assistência alimentar chegará às pessoas que passam fome, e não à elite do regime", disse Lavoy perante o Comitê de Serviços Militares da Câmara de Representantes.

O anúncio do lançamento foi feito mais de duas semanas depois de Pyongyang ter declarado em 19 de fevereiro que aceitava suspender os testes nucleares e de mísseis , assim como o programa de enriquecimento de urânio, em troca de 240 mil toneladas de ajuda alimentar de Washington. A decisão de aceitar um acordo com os EUA foi tomada pouco mais de dois meses depois da morte do antigo líder Kim Jong-il , que foi sucedido por seu filho Kim Jong-un .

Segundo Lavoy, o acordo de fevereiro proíbe o lançamento de mísseis a Coreia do Norte. "Quando assinaram indicamos que a colocação em órbita de um satélite seria interpretado como o lançamento de míssil devido à tecnologia utilizada", disse.

No fim de semana, Washington advertiu que qualquer lançamento poderia colocar em perigo o acordo e a ajuda alimentar prometida, mas os comentários de Lavoy na audiência marcaram uma posição mais firme e deixaram claro que os planos de entregar a ajuda já foram suspensos. Até o anúncio de suspensão de ajuda por Washington, a Coreia do Norte rejeitou desistir do lançamento do foguete.

"O potencial de um ato de provocação da Coreia do Norte em 2012 continua sendo uma grande preocupação", revelou Lavoy, assinalando que, por causa do centenário do nascimento fundador do país, Pyongyang "tratará de mostrar que se transformou em uma nação forte e próspera".

Lavoy assinalou que Kim Jong-un, "no processo de consolidação do poder e de sua legitimidade, talvez possa fazê-lo por meio de um ato de provocação e de exibição da força".

*Com AFP e EFE

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