EUA sinalizam flexibilidade sobre colônias judaicas

Por Arshad Mohammed WASHINGTON (Reuters) - As negociações de paz entre Israel e palestinos poderiam ser retomadas mesmo sem a suspensão completa das obras nos assentamentos judaicos em territórios ocupados, sugeriu uma autoridade norte-americana de primeiro escalão na quinta-feira.

Reuters |

A fonte, que pediu anonimato, disse que é mais importante haver um grau de paralisação dos assentamentos que seja aceitável para Israel e os palestinos do que para os EUA.

O governo Obama espera anunciar em setembro a retomada das negociações de paz, paralisadas de dezembro, mas as peças ainda não se encaixaram, segundo diplomatas e funcionários dos EUA.

O enviado especial do governo dos EUA, George Mitchell, tenta convencer Israel a paralisar a ampliação dos assentamentos, uma pré-condição palestina para retomar o diálogo. Ele também pressiona os governos árabes a darem passos no sentido de normalizar suas relações com Israel.

Mesmo que o diálogo seja retomado, analistas acreditam que a chance de um acordo de paz em breve é reduzida, já que os palestinos estão profundamente divididos, e Israel tem uma coalizão direitista frágil no poder.

O governo Obama defende publicamente a suspensão total das obras nos assentamentos, o que inclui a expansão resultante do "crescimento natural" das famílias de colonos.

Embora tenha dito que essa continua sendo a posição de Washington, a fonte ouvida pela Reuters disse que os EUA não seriam um obstáculo se ambas as partes conseguissem concordar com algo aquém disso.

"Vamos argumentar se em algum ponto as partes disserem 'Sabe, isso não é tudo que esperamos, mas é o suficiente'? Isso nos faria apresentar um obstáculo ao começo das negociações," disse o funcionário.

Mitchell e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reuniram na quarta-feira em Londres e em seguida divulgaram um comunicado num tom excepcionalmente otimista, citando um clima "muito produtivo" e com "bons progressos".

Mas, na quinta-feira, Netanyahu negou que tenha aceitado a suspensão mesmo que temporária das construções. Uma equipe israelense vai na semana que vem aos EUA para mais discussões, e Mitchell voltará em setembro ao Oriente Médio.

Cerca de meio milhão de judeus vivem nos assentamentos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel na guerra de 1967, e que os palestinos reivindicam como parte de seu eventual Estado.

Um diplomata árabe sugeriu que nenhum dos lados terá tudo o que deseja, e os palestinos devem aceitar algo aquém do congelamento total, enquanto Israel obteria apenas medidas simbólicas dos Estados árabes no sentido da normalização das relações.

"Qualquer acordo que tenhamos a respeito dos assentamentos será menos do que perfeito", disse esse diplomata, que também pediu anonimato. "Em outras palavras, chegará um ponto em que eles terão de simplesmente pegar o que conseguirem."

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