EUA se dizem dispostos a dialogar com junta birmanesa para conseguir reformas

O governo do presidente Barack Obama adotou uma postura diferente sobre a questão de Mianmar (antiga Birmânia), ao propor um diálogo com a junta militar no poder em Yangun com a esperança de favorecer a implantação de reformas democráticas.

AFP |

Em discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mencionou a possibilidade de abrandar as sanções impostas à junta em troca de mudanças políticas significativas em Mianmar.

"As sanções continuam importantes, mas não produziram os resultados esperados para o povo da Birmânia", declarou.

"Opor o diálogo às sanções é, na nossa opinião, uma falsa escolha. No futuro, empregaremos estas duas ferramentas para alcançar nossos objetivos, que permanecem os mesmos", acrescentou.

Eleições - as primeiras em 20 anos - estão previstas em 2010 em Mianmar. Elas acontecerão num momento em que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) impuseram sanções ao regime birmanês devido a sua recusa em reconhecer o resultado das eleições de 1990, vencidas pela Liga Nacional pela Democracia (LND) da líder opositora Aung San Suu Kyi, que permanece em prisão domiciliar.

A LND nunca conseguiu exercer o poder.

"Aung San Suu Kyi disse que o diálogo é positivo", afirmou nesta quinta-feira Nyan Win, um de seus advogados e porta-voz da LND. "Ela ressaltou, porém, que o diálogo deve envolver as duas partes", a junta e a oposição, ressaltou.

Desde que chegou ao poder, em janeiro deste ano, Obama tratou de romper com as práticas de seu predecessor, George W. Bush, em matéria de política externa, privilegiando o diálogo em detrimento do confronto.

Em fevereiro passado, Washington já informou que reavaliaria sua política em relação a Mianmar. Esta reavaliação ainda não terminou, destacou Hillary Clinton.

Para eliminar qualquer dúvida, a secretária de Estado ressaltou que os objetivos dos Estados Unidos em relação à Birmânia continuam os mesmos: "reformas democráticas confiáveis" e "libertação imediata dos prisioneiros políticos".

Hillary insistiu particularmente na libertação de Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz que passou 14 dos 20 últimos anos presa. A líder opositora foi condenada recentemente a mais 18 meses de prisão domiciliar, uma medida que a impede de participar das eleições de 2010.

A junta também tem que iniciar "um diálogo sério com a oposição e as minorias étnicas", frisou Hillary Clinton.

Um alto funcionário do governo americano explicou, por sua vez, que o governo de Obama decidiu mudar sua política em relação a Mianmar porque o país asiático mostrou recentemente que quer melhorar as relações com os Estados Unidos.

Hillary Clinton apresentou a nova posição americana aos ministros das Relações Exteriores dos países que formam o "Grupo dos Amigos da Birmânia", que inclui, entre outros, a Indonésia, o Vietnã, o Japão, a China, a França e a Grã-Bretanha.

"Suspender as sanções agora enviaria um péssimo sinal, e vamos mantê-las até que possamos constatar progressos na aplicação das reformas", declarou Hillary, segundo um documento divulgado pelo departamento de Estado.

"Contudo, estamos dispostos a abrandar as sanções em troca de ações significativas no que se refere aos direitos humanos e aos problemas democráticos que impedem o crescimento da Birmânia", destacou.

lc/yw

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