EUA se dizem decepcionados com retomada de colônias judaicas

Presidente palestino, Mahmoud Abbas, protela decisão de abandonar negociações de paz com Israel

iG São Paulo |

Os Estados Unidos manifestaram decepção nesta segunda-feira com a decisão israelense de não manter a suspensão à construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia.

O congelamento, adotado em novembro, expirou formalmente à 0h desta segunda (hora local, 19h em Brasília), e pode colocar em risco a continuidade das negociações diretas de paz entre palestinos e israelenses, retomadas neste mês pela primeira vez desde o fim de 2008.

“Nós estamos decepcionados, mas continuamos focados em nosso objetivo em longo prazo”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, PJ Crowley.

O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, viajaria à região ainda nesta segunda-feira para tentar salvar as negociações.

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgou um comunicado em que “reiterou que a construção de assentamentos no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, é ilegal conforme leis internacionais”. O secretário-geral lembrou que o congelamento das construções estava previsto no “mapa do caminho”, conjunto de ações propostas pelo chamado “Quarteto” de negociadores para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU) para o avanço das conversas de paz na região. Ele também reprovou o que chamou de ações “provocativas“ de Israel.

Abbas

Nesta segunda-feira ainda, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, protelou a decisão de abandonar as conversações de paz com Israel, dando mais tempo para a diplomacia salvar as negociações do fracasso por causa das obras nos assentamentos de Israel.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou, depois de conversar com Abbas em Paris, que o líder palestino e Netanyahu aceitaram o seu convite para conversar sobre a paz antes do fim de outubro. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, também foi convidado a participar da reunião.

Abbas, que havia ameaçado abandonar as negociações caso as obras de assentamento fossem reiniciadas, afirmou que manteria sua decisão até uma reunião da Liga Árabe em 4 de outubro e até consultar o conselho da Organização para a Libertação da Palestina.

AFP
Os presidentes Nicols Sarkozy e Mahmoud Abbas, em Paris, nesta segunda-feira
"Não teremos reações bruscas agora, não vamos dizer 'sim ou não - queremos ou não queremos'", disse Abbas numa entrevista coletiva ao lado de Sarkozy. "Israel tem uma moratória de 10 meses e ela deve ser ampliada em três ou quatro meses para dar uma chance à paz", afirmou Abbas.

O líder francês, por sua vez, afirmou que os "assentamentos precisam parar".

Os palestinos temem que os assentamentos -- construídos em território capturado por Israel da Jordânia numa guerra em 1967 -- inviabilizem a formação do Estado viável que esperam criar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, enclave governado pelo grupo Hamas, que se opõe aos esforços de paz de Abbas.

"Estou certo de que ainda chegaremos (a um acordo de paz) e mais cedo ou mais tarde o Estado palestino será alcançado", disse Abbas em Paris. "A maioria dos israelenses quer a paz e sabe que, sem ela, os israelenses não podem viver".

Retomada

As escavadeiras começaram a trabalhar em ao menos três assentamentos da Cisjordânia ocupada, mas, como é feriado judaico, havia poucos sinais de retomada ampla das obras após o fim da moratória de 10 meses.

"Por enquanto, é tudo simbólico", afirmou o ministro da Habitação israelense, Ariel Atias, ao site de notícias YNet, questionando se o ministro da Defesa, Ehud Barak, cujo ministério supervisiona as atividades israelenses na Cisjordânia, concordaria em emitir autorizações para novas construções.

Netanyahu pediu moderação aos colonos e não descarta a possibilidade de limitar a expansão das moradias nos assentamentos. Mas os colonos prometeram começar a erguer cerca de 2 mil casas na semana que vem, após a festividade religiosa do Sukkoth.

Quase 500 mil judeus vivem em mais de 100 assentamentos nos territórios ocupados por Israel desde 1967.

*Com Reuters e BBC

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