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EUA, R.Unido e França consideram nova usina nuclear iraniana como desafio

(Atualiza com reações do Irã, Rússia e China). Macarena Vidal. Pittsburgh (EUA), 25 set (EFE).- Estados Unidos, França e Reino Unido consideraram hoje a existência de uma nova usina nuclear no Irã como um desafio direto à comunidade internacional e exigiram inspeções internacionais exaustivas.

EFE |

Em pronunciamento a veículos de imprensa antes do início da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países desenvolvidos e os principais emergentes) em Pittsburgh (EUA), os governantes dos três países usaram de uma incomum dureza em suas falas para afirmar que o Irã deve cooperar com as inspeções "totalmente e de maneira substancial".

"Esta usina aprofunda a crescente preocupação de que o Irã se recusa a respeitar suas responsabilidades internacionais", sustentou o presidente americano, Barack Obama.

Segundo Obama, esta "não é a primeira vez em que o Irã esconde informação sobre seu programa nuclear", em alusão à outra instalação de enriquecimento de urânio, em Natanz, que veio a público em 2002.

Representantes iranianos devem se reunir no próximo dia 1º em Genebra com o grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, China, Rússia, Reino Unido e França - mais a Alemanha para discutir seu programa nuclear.

Para Obama, o Irã deverá oferecer nessa reunião uma cooperação "total e exaustiva" com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e "tomar medidas concretas que deem confiança e transparência para seu programa nuclear".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou que, "se até dezembro não houver uma mudança profunda por parte dos líderes iranianos, será necessário adotar sanções".

"Não podemos deixar que esse país ganhe tempo", sustentou Sarkozy, ao afirmar que "é preciso pôr todas as opções sobre a mesa" depois da confirmação da existência desta nova usina de enriquecimento de urânio por parte de Teerã em carta enviada à AIEA.

A nova usina fica nos arredores da cidade de Quom, a 160 quilômetros ao sudoeste de Teerã, camuflada no interior de uma montanha, segundo membros do Governo dos EUA que falaram sob a condição de não serem identificados.

Ainda faltam "alguns meses" para a entrada em funcionamento da usina, que conta com cerca de três mil centrífugas, quantidade insuficiente para enriquecer urânio com fins civis, mas o bastante para fabricar uma ou duas bombas atômicas ao ano, segundo as mesmas fontes.

Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu hoje em que o país cumpre com as regras da AIEA e que a agência pode inspecionar suas usinas nucleares.

"Não temos nenhum problema com inspeções das instalações. Não temos medo", garantiu Ahmadinejad.

A existência desta segunda instalação era conhecida há muito tempo pelos serviços secretos britânicos, franceses e americanos.

Segundo as fontes americanas, quando houve certeza sobre os objetivos da usina, EUA, Reino Unido e França decidiram revelar suas descobertas à AIEA, com a esperança de que o Irã se visse obrigado a declarar a existência dessa instalação.

Foi o que Teerã fez na última segunda-feira em carta enviada à agência, que revelou o conteúdo da mesma hoje.

EUA, França e Reino Unido optaram por compartilhar a maior quantidade possível de dados obtidos por seus serviços secretos com os países envolvidos nas negociações sobre o programa nuclear do Irã.

"Achamos que beneficiaria os esforços diplomáticos saber que o Irã está violando seus compromissos internacionais", explicou um membro do alto escalão do Governo americano, ao apontar que essa estratégia "já começou a dar frutos".

O presidente russo, Dmitri Medvedev, que se reuniu na quarta-feira com Obama, admitiu pela primeira vez após esse encontro a possibilidade de apoiar sanções contra o Irã.

Em comunicado lido por sua porta-voz, Natalia Timakova, Medvedev pediu hoje ao Irã para que coopere "plenamente" com a AIEA, mas lembrou que a Rússia "segue decidida a manter um diálogo sério para estabelecer uma via eficaz de eliminar as inquietações da comunidade internacional sobre esse programa nuclear".

O Governo chinês se manifestou em termos similares. Ma Zhaoxu, porta-voz do presidente do país, Hu Jintao, solicitou que Teerã permita as inspeções internacionais. EFE mv/bba

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