WASHINGTON - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ordenará uma revisão do processo de emissão de vistos para entrada no país após o atentado frustrado contra um voo entre Amsterdã e Detroit no dia de Natal, informou hoje o Departamento de Estado.

"Claramente precisamos revisar todos os nossos procedimentos", disse em um encontro com jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, ao referir-se ao processo de emissão e revogação de vistos americanos.

Hillary "solicitará ao Departamento de Estado, principalmente à nossa divisão consular, para que revise todos os nossos processos", declarou Kelly.

No último dia 25, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab tentou explodir um avião da Northwest Airlines que viajava entre Amsterdã e Detroit com 278 pessoas e 11 tripulantes a bordo. Ele está sob custódia federal.

O grupo terrorista Al-Qaeda na Península Arábica assumiu nesta sexta-feira a autoria da tentativa de atentado .

Kelly afirmou que o Departamento de Estado cumpriu com suas responsabilidades de compartilhar informação com as agências de segurança nacional sobre Abdulmutallab.

"Fizemos o que tínhamos de fazer" sob as leis que regem a segurança nacional, insistiu.

O porta-voz acrescentou que a Embaixada dos EUA em Londres emitiu um visto de turista para o nigeriano em 16 de junho de 2008 com validade de dois anos.

Segundo o porta-voz, Abdulmutallab já tinha entrado nos EUA anteriormente e não tinha o perfil de uma pessoa que levantasse suspeitas nem demonstrava a intenção de ficar permanentemente no país.

"Não havia nada em sua solicitação nem em nenhuma base de dados que indicasse que ele não deveria receber um visto", explicou.

AP

O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab

O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab



De acordo com Kelly, Abdulmutallab não levantou suspeitas porque estudava em uma escola respeitável, tinha muitos recursos financeiros e não havia nenhuma informação negativa sobre ele no ano passado.

O porta-voz disse que o Departamento de Estado tem autoridade para revogar vistos quando estão em jogo interesses da política externa dos EUA, como foi o caso de vários diplomatas do governo de facto de Honduras.

No caso do estudante nigeriano, ressaltou Kelly, a decisão de recomendar a suspensão do visto dependia também dos serviços de Inteligência, particularmente do Centro Nacional Contra o Terrorismo (NCTC, na sigla em inglês).

O representante do Departamento de Estado disse que as autoridades americanas recebem diariamente "milhares de dados que nem sempre são completamente precisos" e, por isso, devem "ser cuidadosos" quando colocam alguém em uma lista de vigilância.

O pai de Abdulmutallab entrou em contato com a Embaixada dos EUA na Nigéria em 19 de novembro para expressar sua preocupação com o extremismo islâmico adotado por seu filho.

Segundo Kelly, o Departamento de Estado comunicou essa informação no dia seguinte e a incluiu em uma base de dados utilizada pelas autoridades americanas encarregadas de conceder vistos no mundo todo.

Essa notificação só incluía dados biográficos do suspeito, assim como o número de seu passaporte e uma breve explicação das declarações do pai, mas não incluía o dado de que o estudante tinha obtido um novo visto em Londres, esclareceu.

Após receber a notificação do Departamento de Estado, foi o NCTC que indicou que a informação era "insuficiente" para determinar se o visto de Abdulmutallab deveria ser suspenso.

O porta-voz não fez comentários sobre os comunicados nos quais a Al-Qaeda assumiu a autoria do atentado frustrado.

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