EUA revisarão política de segurança aérea, após atentado fracassado

Teresa Bouza. Washington, 27 dez (EFE).- O Governo dos Estados Unidos extremou hoje a segurança nos aeroportos do país e anunciou que revisará sua política de listas de suspeitos de terrorismo e dos sistemas de detecção dos aeroportos, após o atentado fracassado contra um avião na sexta-feira passada.

EFE |

Umar Farouk Abdulmutallab, o jovem nigeriano de 23 anos que tentou detonar um explosivo que levava junto ao corpo em um avião da Northwest, estava em uma lista de vigilância "genérica" de terroristas, que inclui mais de meio milhão de nomes.

No entanto, Abdulmutallab nunca foi incluído na lista de passageiros proibidos de voar nem foi escolhido para ser submetido a uma apuração mais rigorosa, reconheceu hoje a secretária de Segurança Nacional americana, Janet Napolitano.

Para que isso fosse possível, disse Janet, teria sido necessário ter informações "específicas e críveis".

"Não tínhamos o tipo de informação que permitia elevá-lo para outra categoria, segundo as atuais normas", afirmou em declarações aos meios de imprensa a secretária de Segurança Nacional, que assegurou que o Governo estuda mudar essas regras.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse hoje, nesse sentido, que o Governo analisa "como revisar os procedimentos das listas de vigilância".

Gibbs disse em declarações à rede de televisão "ABC" que o objetivo é evitar que aconteçam "engarrafamentos burocráticos" que impeçam que a informação sobre suspeitos chegue com a rapidez devida "aos níveis mais altos de segurança no Governo".

O pai de Abdulmutallab advertiu a funcionários americanos na Nigéria que estava preocupado com o crescente extremismo religioso de seu filho, o que não foi suficiente para colocar as autoridades americanas em alerta máximo.

Abdulmutallab levava mais de 80 gramas de PETN (tetranitrato de pentaeritritol), um composto relacionado com a nitroglicerina e que é utilizado pelo Exército.

Alguns passageiros, com ajuda da tripulação, avançaram sobre o suspeito e o renderam.

Abdulmutallab acabou com as maõs atadas em um assento da primeira fila até que o voo, com 278 passageiros, aterrissou em Detroit.

Gibbs afirmou hoje que o Governo dos EUA também investiga os sistemas de detecção para ver como Abdulmutallab conseguiu levar materiais explosivos no voo de Northwest procedente de Amsterdã rumo a Detroit (Michigan, EUA).

Fontes consultadas pela rede de televisão "ABC" disseram que provavelmente o material que Abdulmutallab levava não explodiu porque o detonador era pequeno demais ou não estava "devidamente conectado" com o material explosivo.

O explosivo, segundo as citadas fontes, era composto por um pacote de cerca de 15 centímetros e uma seringa com um líquido.

Ambos estavam costurados à roupa de dentro do jovem nigeriano a fim de que ficassem perto de seus testículos, o que dificulta a detecção, segundo o relato de Abdulmutallab às autoridades.

Os investigadores analisam a composição do pó e do líquido utilizados durante a suposta trama terrorista.

Abdulmutallab sofreu queimaduras de segundo grau em sua genitália.

Os EUA também tentam determinar se o jovem agiu sozinho ou em coordenação com a rede terrorista Al Qaeda.

Janet afirmou que há uma investigação em andamento, mas insistiu em que é cedo demais para tirar conclusões e seria "inadequado" especular a respeito.

"Deixaremos que o FBI e o sistema de justiça façam seu trabalho", afirmou a alta funcionária.

Abdulmutallab disse a investigadores consultados pela rede de televisão "ABC" que recebeu treinamento da Al Qaeda no Iêmen para o qual se esperava fosse um atentado suicida nos EUA no dia de Natal.

EFE tb/ma

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