Um porta-voz do Exército americano anunciou, nesta segunda-feira, que o país retomou os voos que levam vítimas do terremoto no Haiti para serem tratados em outros locais, principalmente na Flórida. Os militares americanos interromperam os voos na última quarta-feira.

Um porta-voz da Casa Branca disse à BBC que a decisão teve "motivos logísticos" e não foi tomada por causa dos custos, como chegou a ser noticiado.

Segundo o porta-voz Gregory Kane, a retomada dos voos foi possível porque esse problema logístico - de falta de espaço em hospitais nos Estados Unidos e em outros países - teria sido resolvido.

"A retomada dos voos foi baseada na identificação de locais para onde os feridos podem ser levados e onde a presença deles não sobrecarregue a capacidade dos Estados para onde eles estão sendo levados", disse Kane a jornalistas em Porto Príncipe, capital do Haiti.

Segundo ele, um voo teria partido já no domingo.

Garantias
De acordo com o porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor, os Estados Unidos teriam tomado a decisão de voltar a realizar os voos porque teriam "expandido o acesso a mais locais" para tratar os feridos tanto nos Estados Unidos como fora do país.

"Depois de receber garantias de que existe capacidade adicional tanto aqui como nos nossos parceiros internacionais, determinamos que vamos retomar esses voos indispensáveis", disse Vietor em comunicado.

Os Estados Unidos anunciaram que retomariam os voos médicos no domingo, após um alerta, feito por médicos americanos que atuam no Haiti, de que milhares de pessoas gravemente feridas no terremoto do último dia 12 poderiam morrer por causa da suspensão dos voos.

Segundo o jornal americano The New York Times, representantes militares americanos teriam dito que os voos foram suspensos por causa de uma disputa entre quem pagaria pelo tratamento dos haitianos - se o governo federal ou o Estado da Flórida.

"Aparentemente, alguns Estados não querem aceitar a entrada de pacientes haitianos", disse um porta-voz do Comando de Transportes americano.

"Conseguimos gerenciar as missões de evacuação aérea, mas sem um destino, não podemos levar ninguém. Se não temos permissão para levar esses pacientes, ou se ninguém quer cuidar deles, não podemos fazer nada. É simples", disse o porta-voz, que se recusou a dizer quais Estados estão recusando os haitianos.

Um assessor do governo da Flórida disse não saber de hospitais que estivessem rejeitando pacientes.

Na última terça-feira, o governador Charlie Crist, que é republicano, enviou uma carta ao Departamento de Saúde pedindo que o governo federal acione o Sistema Médico Nacional para Desastres, que normalmente paga para o tratamento de vítimas de catástrofes dentro dos Estados Unidos.

"O sistema de saúde da Flórida está rapidamente chegando a um ponto de saturação, principalmente na área de tratamento de vítimas altamente traumatizadas", diz a carta.

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