Por Tabassum Zakaria e Stephanie Nebehay WASHINGTON/GENEBRA (Reuters) - O presidente dos EUA, George W. Bush, acredita que a questão atômica envolvendo o Irã pode ser resolvida diplomaticamente em um processo envolvendo aliados dos norte-americanos, entre os quais Israel, afirmou na quarta-feira a Casa Branca.

A postura do governo norte-americano veio a público depois de o jornal The New York Times ter dito, na semana passada, que Israel havia realizado exercícios militares preparando-se, supostamente, para atacar o Irã.

O maior diplomata da União Européia (UE) também ressaltou os esforços de diálogo, afirmando que as potências ocidentais continuariam com sua política dupla de impor sanções e realizar negociações em torno do programa atômico do Irã, apesar de o governo iraniano ter dito que esses esforços poderiam ter o efeito contrário ao desejado.

Questionado sobre se autoridades israelenses pressionavam os EUA a adotarem uma ação militar contra o Irã antes de Bush deixar o cargo, Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, disse que os EUA e seus aliados, entre os quais Israel, desejavam solucionar a questão pelas vias diplomáticas.

'O presidente Bush acredita que podemos solucionar essa questão diplomaticamente e que todos preferem solucionar a questão diplomaticamente. E isso não apenas nos EUA, mas também no caso dos nossos aliados e, certamente, no caso de Israel', afirmou Perino.

A disputa entre o Ocidente e o governo iraniano em torno do programa nuclear deste último alimentou temores sobre uma confrontação militar que poderia prejudicar o fornecimento mundial de petróleo.

Na sexta-feira, o New York Times atribuiu a autoridades norte-americanas a informação de que Israel havia realizado um grande exercício militar em meio a aparentes preparativos para bombardear as instalações nucleares do Irã.

Israel, que seria o único país do Oriente Médio a possuir um arsenal nuclear, descreveu o programa nuclear iraniano como uma ameaça a sua existência.

A Grã-Bretanha disse ao Irã que o país sofreria um crescente isolamento econômico e diplomático se fizesse a 'escolha errada' e se não atendesse às exigências da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre abrir mão da parte mais delicada de seu programa atômico.

Mas o governo iraniano continuava sem ceder no longo impasse a respeito de seu programa, que afirma visar exclusivamente à geração de eletricidade. Potências ocidentais, de outro lado, desconfiam que o país islâmico esteja tentando desenvolver armas nucleares.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que seu país, quarto maior exportador de petróleo do mundo, retiraria seus bens da Europa devido às sanções cada vez maiores impostas contra ele.

Uma outra autoridade importante do Irã, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, avisou que o Ocidente corria riscos ao 'provocar' a República Islâmica.

MEDIDAS PUNITIVAS

Na terça-feira, o governo iraniano afirmou que as medidas punitivas impostas nesta semana pelos 27 países-membros da UE poderiam prejudicar os esforços diplomáticos realizados para solucionar a disputa.

Javier Solana, chefe da área de política externa do bloco europeu, entregou ao Irã, no dia 14 de junho, um pacote de benefícios elaborado pelos EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha com o intuito de convencer os iranianos a abrir mão do enriquecimento de urânio e colocar fim à disputa, responsável por alimentar a alta do petróleo.

Na quarta-feira, Solana disse à Reuters que o Irã ainda não havia respondido ao pacote de incentivos. O enriquecimento de urânio pode produzir tanto combustível para usinas nucleares quanto material apto a ser usado na fabricação de bombas atômicas.

Solana afirmou esperar que uma resposta surja dentro em breve.

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