EUA responderão se ambição nuclear norte-coreana ameaçar aliados

Carlos Santamaría. Cingapura, 30 mai (EFE).- O secretário de Defesa americano, Robert Gates, anunciou hoje que os Estados Unidos responderão caso as ambições nucleares da Coreia do Norte representem uma ameaça para seu país ou seus aliados.

EFE |

"Não ficaremos parados" enquanto a Coreia do Norte desenvolve capacidade para semear a destruição nesses alvos, disse Gates em discurso em Cingapura, onde participa da conferência asiática sobre segurança.

O chefe do Pentágono não detalhou como seria essa resposta, e insistiu em que os Estados Unidos não contemplam neste momento aumentar suas forças na Coreia do Sul ou Japão.

No entanto, Gates ressaltou que os EUA "não aceitam a Coreia do Norte como um Estado com armas nucleares".

Washington também vai se opor a qualquer tentativa de Pyongyang de transferir tecnologia de seu programa atômico a outras nações ou indivíduos como grupos terroristas, e se isso acontecer, o regime comunista "terá de assumir plenamente as consequências de seus atos", afirmou.

O secretário de Defesa americano indicou que o programa atômico da Coreia do Norte ainda não representa uma ameaça militar direta para os EUA ou seus aliados, mas acusou o regime norte-coreano de impulsionar uma corrida armamentista na Ásia Oriental.

"Se seguirem por esse caminho, as consequências para a estabilidade da região serão significativas", previu.

Gates comparou a Coreia do Norte com o Irã, mas disse que o programa nuclear norte-coreano está mais avançado, e pediu "sanções duras" para que os dois países acatem as normas internacionais.

O funcionário americano disse ainda que corresponde ao regime norte-coreano a decisão de "continuar isolado internacionalmente, ou traçar um novo caminho" que mude sua trajetória. "O mundo está esperando", ressaltou.

Já a China, historicamente o principal aliado da Coreia do Norte e que geralmente se opõe a sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o regime stalinista, defendeu a desnuclearização da península coreana e pediu que todas as partes mantenham a calma para atingir esse objetivo.

O general Ma Xiaotian, segundo chefe do Estado-Maior do Exército de Libertação Popular, disse que seu país rejeita qualquer tipo de proliferação nuclear.

Coreia do Sul e Japão, as duas nações que mais temem que o regime de Kim Jong-il adquira uma bomba atômica, pediram à ONU - dentro da conferência de Cingapura - punições a Pyongyang, mas sem pronunciar a palavra "sanção".

Seul e Tóquio concordaram no começo da semana em responder dessa maneira coordenada ao último teste nuclear norte-coreano.

O ministro da Defesa sul-coreano, Lee Sang-hee, apostou por resolver o problema de maneira pacífica, dentro das conversas de seis lados junto com seu vizinho do norte e China, Japão, Estados Unidos e Rússia, mas deixou claro que a provocação do regime comunista não deve ficar impune.

Seu colega japonês, Yasukazu Hamada, qualificou o teste nuclear de "grave ameaça à segurança de toda a comunidade internacional", e uma violação expressa da resolução 1718 do Conselho de Segurança, que proíbe estas atividades na península coreana.

A Coreia do Sul revelou hoje que tem imagens de satélite de um trem de carga do país vizinho que transporta o que poderia ser um míssil intercontinental das cercanias da capital norte-coreana, e este projétil poderia estar pronto para ser lançado dentro de duas semanas.

A posição das autoridades da Coreia do Norte é de que tomará qualquer sanção como uma violação do armistício em vigor desde 1953 na península coreana, um documento no qual a ONU é parte beligerante. EFE csm/mh

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