EUA repassam a Iraque controle de antiga Província insurgente

Por Tim Cocks RAMADI, Iraque (Reuters) - As Forças Armadas dos EUA entregaram aos iraquianos, nesta segunda-feira, o controle sobre a Província de Anbar, menos de dois anos depois de quase terem perdido essa região do oeste do Iraque para uma insurgência sunita.

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'Estamos nos metros finais de uma luta terrível. Nosso objetivo está muito perto', afirmou o general John Kelly, comandante das forças norte-americanas em Anbar, a autoridades dos EUA, do Iraque e de tribos da área.

'A vida dos senhores e a de seus filhos depende da vitória', disse ele, em uma cerimônia realizada na capital da Província.

Kelly e o governador de Anbar, Mamun Sami Rasheed, abraçaram-se após assinar o documento que fez da Província a 11a das 18 iraquianas, e a primeira sunita, a ser devolvida ao controle das forças de segurança iraquianas desde a invasão liderada pelos EUA e realizada em 2003.

'Nós enfrentamos a Al Qaeda e pagamos caro por isso com as nossas vidas', afirmou Rasheed. 'O sangue espalhou-se por essa terra magnânima.'

Policiais marcharam por uma rua central de Ramadi carregando bandeiras do Iraque. Depois, veio uma parada de veículos das forças de segurança enfeitados com flores.

O presidente dos EUA, George W. Bush, elogiou a população de Anbar, local onde se registrou um quarto das baixas sofridas pelos militares norte-americanos no Iraque desde 2003, por terem se voltado contra os militantes sunitas da Al Qaeda.

'Hoje, Anbar não está mais perdida nas mãos da Al Qaeda.

Foi a Al Qaeda quem perdeu Anbar', afirmou Bush em um comunicado.

Grande parte da Província, que possui poucas reservas de petróleo mas uma grande importância estratégica por fazer fronteira com a Síria, a Arábia Saudita e a Jordânia, já esteve sob o controle da Al Qaeda.

A região foi palco de batalhas violentas contra as forças norte-americanas e as do governo do Iraque.

Alguns dos combates mais sangrentos dos últimos cinco anos de guerra aconteceram em Anbar, entre os quais dois ataques devastadores realizados pelos EUA contra a cidade de Falluja, em 2004.

'Três ou quatro anos atrás, não teríamos imaginado isso em nossos sonhos mais devaneantes', disse a repórteres, antes da cerimônia, o conselheiro nacional do Iraque para a área de segurança, Mowaffaq al-Rubaie.

'Se tivéssemos dito que repassaríamos o controle sobre a área de segurança das forças estrangeiras para as autoridades civis, as pessoas dariam risada da gente. Agora, acho que isso se transformou em uma realidade'.

A entrega de Anbar estava marcada para ocorrer em junho, mas acabou sendo adiada devido a um embate entre líderes políticos da Província.

O tenente-coronel Chris Hughes, porta-voz do Corpo de Fuzileiros dos EUA no oeste do Iraque, disse que o repasse do controle era em grande medida formal porque, na prática, as forças iraquianas já vêm atuando de forma independente há meses.

O cenário mudou em Anbar no final de 2006, quando líderes tribais sunitas, cansados do puritanismo islâmico e das táticas violentas adotadas pela Al Qaeda, mudaram de lado, ajudando os militares dos EUA a expulsar o grupo da região.

O movimento contra a Al Qaeda ficou conhecido como o 'Despertar' de Anbar.

(Reportagem adicional de Ahmed Rasheed e Aws Qusay em Bagdá)

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