EUA renovam sanções contra empresas associadas à Guarda Revolucionária do Irã

O governo dos Estados Unidos impôs novas sanções contra quatro empresas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã e a um general desta corporação, em um novo passo para cortar o financiamento da tropa de elite iraniana, informou nesta quarta-feira o Departamento do Tesouro.

iG São Paulo |

A medida atinge principalmente as filiais da construtora Khatam al-Anbiya, o braço de engenharia da Guarda Revolucionária, já incluído na lista de empresas punidas pelo governo americano. Quem também teve as sanções reforçadas foi o general Rostam Qasemi, que dirige a entidade.

Novo plano para combustível nuclear

No que parece ser uma tentativa de fazer com que o Irã prove que não está blefando sobre seu programa atômico, os EUA preparam-se com outros países para oferecer a Teerã uma forma de obter os isótopos médicos que o país diz precisar desesperadamente para tratar pacientes de câncer, informa nesta quarta-feira a rede de TV CNN citando uma fonte do Departamento de Estado dos EUA.

"Se o Irã sente ter uma necessidade específica, desejamos nos envolver de forma construtiva e tentar identificar formas pelas quais a comunidade internacional e os EUA podem responder a essa necessidade", afirmou o porta-voz P.J. Crowley., acrescentando que a nova oferta será entregue à Agência Internacional de Atômica.

A medida pareceu ser uma resposta ao anúncio feito pelo Irã de que se encarregará de seu próprio enriquecimento de urânio a 20% para conseguir combustível para produzir os isótopos. Os EUA e outros países questionaram a motivação iraniana para esse enriquecimento, dizendo que a medida aumentava a habilidade iraniana para produzir combustível para uma arma nuclear.

Atualmente o Irã enriquece urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento do reator nuclear de Teerã, desenhado para produzir os isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em ao menos 90%.

"A decisão do Irã de melhorar seu processamento para 20% é desnecessária", afirmou Crowley. Segundo ele, a compra de isótopos diretamente de países que já os produzem seria a forma "mais rápida e barata" de o país obter o produto. Crowley afirmou que, pela proposta que será entregue à AIEA, a comunidade internacional "facilitará a obtenção pelo Irã de isótopos médicos a partir de outros países".

A nova oferta dos EUA ocorre quando Washington e outros países estão se direcionando para impor sanções mais duras contra o país por seu programa atômico, que consideram projetado para obter uma arma nuclear. O Irã nega a acusação, dizendo que seu objetivo é civil, para produção de energia elétrica.

Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que novas sanções deverão ser impostas em breve ao país. Obama disse que a recusa iraniana em aceitar um acordo de troca de combustível mediado pela ONU indicava a intenção do país de construir armas nucleares, apesar da insistência da República Islâmica de que suas atividades atômicas visam somente à geração pacífica de eletricidade.

Impasse

O chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, disse nesta quarta-feira que um acordo para a troca de combustível nuclear com o Ocidente ainda é possível.

Ao mesmo tempo, porém, Salehi pareceu reiterar uma exigência iraniana de troca simultânea de combustível em seu território, o que potências ocidentais não aceitaram em negociações anteriores. Elas querem que Teerã primeiro envie a maioria de seu urânio de baixo enriquecimento ao exterior para depois receber material altamente enriquecido em troca.

Salehi disse que o urânio iraniano pode ser lacrado e colocado sob custódia da AIEA no país até que a República Islâmica receba o combustível que precisa para um reator de pesquisas médicas. 

*Com informações da Reuters

Veja o processo completo para o enriquecimento de urânio:

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