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EUA rejeitam tese de que estrangeiros fraudaram pleito afegão

Washington, 1 abr (EFE).- Os Estados Unidos rejeitaram hoje as declarações do líder do Afeganistão, Hamid Karzai, de que estrangeiros seriam os responsáveis pela fraude das eleições presidenciais, das quais saiu reeleito.

EFE |

"Não aceitamos tais declarações", disse o porta-voz do departamento de Estado americano, Philip Crowley, que assegurou que os Estados Unidos esperam ver um "Governo efetivo" em todos os níveis do Executivo nacional e local durante o segundo mandato de Karzai.

As declarações de Karzai acontecem quatro dias depois de o presidente americano, Barack Obama, realizar uma visita surpresa ao país para se reunir com seu colega afegão, a quem pediu mais esforços para lutar contra a corrupção.

Crowley assinalou que, além do esforço militar para "estabilizar" o país, os Estados Unidos se comprometeram a ajudar a fortalecer o Governo afegão.

Quanto às acusações de fraude eleitoral, o porta-voz disse desconhecer os comentários específicos de Karzai, mas assegurou que este é um tema sobre o qual é preciso "virar página", e "convencer a comunidade internacional e a população afegã de que estão sendo tomadas medidas para reduzir a corrupção".

Em um encontro com trabalhadores dos órgãos eleitorais afegãos, Karzai culpou hoje pela fraude o ex-número dois da missão da ONU no Afeganistão Peter Galbraith e o chefe dos observadores europeus durante o processo, Philippe Morillon.

Karzai chegou a dizer que os votos emitidos pelo povo afegão "estavam sob o controle de uma Embaixada", sem especificar qual.

"Houve fraude nas eleições presidenciais e provinciais, não há dúvida de que houve uma fraude muito generalizada, mas não foi cometida pelos afegãos, e sim pelo os estrangeiros: Galbraith e Morillon são os responsáveis pela fraude", disse Karzai.

O presidente também disse hoje que os estrangeiros "não querem a realização das eleições parlamentares" de 2010, e pretendem "difamar o Parlamento" e o tornar um "presidente ilegítimo", para que possam "continuar com seu trabalho".

"Infelizmente, nosso Parlamento não se dá conta disto", censurou o presidente.

A ONU assinalou o pleito de setembro deste ano como um dos grandes desafios no Afeganistão em 2010, junto com a assembleia da paz e a Conferência de Cabul.

No entanto, tanto as Nações Unidas como os Estados Unidos expressaram receio sobre este pleito parlamentar, após o controvertido processo eleitoral de 2009.

Ambos consideram que é cedo demais para sua realização, apesar de em princípio estarem previstas para maio e terem sido adiadas a setembro. EFE elv/mh

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