EUA rejeitam despenalizar coca e reveem relações com a Bolívia

LA PAZ (Reuters) - Os Estados Unidos rejeitaram na quinta-feira a proposta boliviana de descriminalizar a folha de coca, matéria prima da cocaína, e disseram ter colocado sob revisão as suas relações com La Paz, após uma série de atritos diplomáticos. A posição norte-americana foi comunicada na capital boliviana um dia depois de o presidente esquerdista Evo Morales propor oficialmente, numa reunião da ONU em Viena, a exclusão da coca em estado natural de uma lista de estupefacientes adotada em uma convenção de 1961.

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"O presidente (Morales) tem todo o direito de expor sua opinião, é a posição do país quanto à folha de coca, mas nós somos signatários da convenção de 1961", disse a jornalistas o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Kris Urs.

"Continuamos apoiando esse tratado que firmamos há anos e, nossa posição é essa", afirmou Urs, que é o principal diplomata dos EUA no país desde que Morales expulsou o embaixador Philip Goldberg, em setembro, acusando-o de conspirar com a oposição.

Urs fez a declaração após um encontro com o presidente do Senado, o oposicionista Oscar Ortiz.

A Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de coca e cocaína, atrás de Colômbia e Peru.

Morales enviou na quinta-feira uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ratificando seu pedido para eliminar da convenção de 1961 a proibição da mastigação da coca, prática tradicional em países andinos para o combate à fome e aos males da altitude. Ele também manifestou confiança de que o presidente dos EUA, Barack Obama, reveja a posição norte-americana sobre o tema.

Mas, após rejeitar a proposta de Morales, que também é o líder dos produtores bolivianos de coca, Urs disse que a recente expulsão de outro membro da embaixada dos EUA em La Paz levou Washington a rever as deterioradas relações bilaterais.

No mais recente confronto, Morales anunciou na segunda-feira a expulsão do segundo-secretário da missão diplomática dos EUA, Francisco Martínez, também sob a acusação de conspiração.

Por causa de acusações semelhantes, o governo boliviano já expulsou do país agentes da DEA (órgão de combate a drogas dos

EUA).

(Por Carlos A. Quiroga, com reportagem de Diego Oré)

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